quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

2011 – O ano em que eu fiz contato... comigo mesma.



Este ano está terminando diferente de todos os outros... porque eu estou num misto de pavor e êxtase por ter descoberto, mastigado, digerido e solucionado muitas coisas de dentro de mim... algumas velhas conhecidas, outras que nem imaginava serem minhas...
Eu já comecei e recomecei este texto mais de uma vez, porque é muito difícil organizar de forma lógica e compreensível o “todo” que vi e reconheci em mim e no mundo... acho que vou fazer de forma bem técnica para não me perder...

Eu comecei o ano chegando de uma viagem à casa dos meus pais... Meu pai está se recuperando de um AVC ocorrido no início de 2010... Ele ainda se recupera, é um processo lento, que me chocou ao notar o quanto meu pai quer viver... Paralelo a isso eu re-encontrei pessoas do meu passado ... e pude enxerga-las com outros olhos... Ainda via nelas tudo de lindo que sempre achei, mas ao mesmo tempo via que éramos as mesmas pessoas e não. Somos os mesmos. Somos outros. Mas me chocou demais. Eu me senti “roubada” …

Quando voltei pra casa, estava confusa, chorando muito diariamente, pensando nos meus pais que deixei em SP, pensando nos amigos, pensando no passado, minhas referências, todos largados em SP.
Largados não, todos TENDO SUAS VIDAS, independentes do que eu fiz da minha ou não. Quando essa ficha caiu, foi foda. Meus pais, embora velhos e em recuperação, não precisam de mim. Meus amigos não precisam de mim, ninguém “precisa” de mim. Aí olhei pro lado e pensei “Nem minha filha precisa de mim”...
Primeira ficha... ninguém é insubstituível, ninguém é indispensável... Se eu morrer agorinha, minha filha vai crescer, viver e se criar. Com sorte o meu marido não faz muita merda e ela superará... ela pode sentir a minha falta, mas não depende disso para viver. Sacada do momento: Eu sou indispensável apenas a mim mesma. Parece ridículo, mas não é. A única pessoa capaz de lutar pelos meus interesses sou eu mesma. Só eu posso fazer as minhas coisas acontecerem. Eu não posso viver a vida de alguém. Por mais que eu ame alguém e esteja ao seu lado, não estou vivendo “ele” estou vivendo ao lado “dele”.
Aí comecei a ver o quanto alguns ex-amores não eram tão lindos assim. O que tinha restado deles dentro de mim não eram coisas relacionadas à eles propriamente. O que tornava esses amores inesquecíveis e os melhores homens do mundo? Eram as coisas que EU TINHA escolhido guardar sobre eles dentro da minha mente. Eu tinha decidido que fulano era o mais lindo e inteligente, sicrano o mais estável em sua vida, beltrano era o mais talentoso, inteligente e sensível e lindo e etc... Mas será que eram mesmo? Não sei. Mas representavam aquilo, naquela época em que eram amados... As épocas em que eles apareceram eram épocas muito especiais na minha vida, não por eles propriamente, mas pelo que eu tinha e sentia. No início eu era inocente e o amor era novidade... Eu passei quase duas décadas pensando que meu primeiro amor era o ideal para mim. Mas não era por ele em si. É porque no fundo eu queria segurar comigo aquela fase primeira, eu queria tanto não ter perdido aquela inocência que eu tinha... Aquele mundo que eu tinha... e ele nunca chegou a ser meu namorado!
Depois um outro grande amor que marcou demais, era fruto de uma fase ótima também que vivi, acho que a fase em que fui mais bonita, ganhava relativamente bem, morava com meus pais (me sentia segura e sem preocupações) era adorada pelos meus alunos, era coisa de filme mesmo... A escola parava quando eu chegava, as crianças, os jovens, todos me amavam... E eu amava aquilo tudo, claro, a Miss Insegurança precisava mesmo que as crianças dissessem o tempo todo o quanto eu era legal... Mas fui uma boa professora, eu me matava pra levar coisas legais pra sala, queria deixar marcas positivas nas pessoas... Mas guardei essa fase por muito tempo dentro de mim...
Passei por outros relacionamentos que nem vale a pena contar, foram coisas tristes, mas já resolvidas dentro de mim e que penso que apesar do trauma vivido, o pior já passou e não ficaram marcas tão fortes assim, sendo que raramente penso nestas pessoas...
Mas voltando a viagem da qual voltei no inicio deste ano.
Quando voltei pra casa fui pro fundo do poço. Eu ainda estava dando aulas, e não conseguia nem raciocinar... Fevereiro, 2011, as aulas recomeçaram, eu não conseguia nem falar, não tinha vontade de dominar a atenção de 40 adolescentes em situação de risco que, a cada dia, me contavam mais e mais histórias tristes e vexatórias... (Nem vou contar a época em que trabalhei gravida num abrigo do conselho tutelar, onde vc vê de tudo, desde criança violentada pelos familiares, até menores assassinos, crianças vítimas, crianças rés... toda variedade de desgraça social, na escola de samba, na outra ONG, nas escolas públicas...) Me custava muito aceitar que eu estava perdendo essa luta educacional há alguns anos... Minha voz já não era a mesma e todo mês ficava rouca... Fui ao médico fazer uma micro-filmagem, tenho dois calos na garganta... de médio porte... dá-lhe água e repouso... Pra professor? Piada!
E acordar de manhã em 2011 pra ir dar aulas me parecia cada dia mais terrível, mais inútil, mais sem propósito... Não tinha mais tesão em ensinar nada... muito menos de arte. Sensibilizar as pessoas... Como fazer para sensibilizar as pessoas se eu mesma já não sei como sentir, nem o “quê” sentia em estar viva nesta época. Eu sabia como me sentia no passado. Naqueles tempos em que eu me sentia localizada, bem instalada na minha cidade, no meu corpo jovem, etc.
A verdade é que eu me mudei de estado, cidade mas não refiz minha vida. Estou aqui há 9 anos e não construí laços de amizade fortes como os de lá. Já refleti sobre isso sob diferentes aspectos, não sei se por diferenças culturais, por culpa minha, por sei lá o quê, o fato é que não tenho a intensidade de laços que tinha em SP. E toda vez que volto pra SP, noto que meus laços de lá também não existem mais. Nem com meus pais a relação é a mesma, lógico. Meu quarto de filha não existe mais, nenhum móvel da época... tudo sumiu. Os amores, o quarto, as pessoas... As ruas estão diferentes... nada mais era a “minha” São Paulo.
Segunda constatação: Eu tinha saudade de épocas específicas. Não exatamente de lugares ou pessoas...Saudades das coisas que me rodeavam e que me traziam sensações boas, de segurança, de amizade, de amor, enfim, tudo positivo.
Isso tudo me deprimiu e eu engordei 10 quilos. Em poucos meses. Em 5 meses. Me vi feia, cansada, doente, largada... Chata, nervosa, obcecada por um passado morto.
Exorcizei como pude, lendo, escrevendo, cantando, dançando, sonhando, dormindo, acordada noites a fio... fiz e refiz vários caminhos... E fui me perguntando várias coisinhas...

  • Quem sou eu, 5 anos depois de ser mãe?
  • Por que me sinto tão mal?
  • Por que me sinto infeliz?
Aí tomei uma decisão importante e difícil. Abandonei definitivamente o magistério. E numa fase onde trabalhava numa escola ótima, e dava oficinas em outra escola ainda melhor, que me prometia uma cadeira em 2012... Fui trabalhar num local onde não é exigida nenhuma capacitação especial. Fico quieta, na minha mesa, no meu computador alimentando um sistema do Tribunal de Contas. Burocracia. Nunca me senti tão feliz. Trabalho 6hrs por dia, das 7h00m as 13h00m, chego em casa por volta das 14hrs e ainda consigo pintar, desenhar e batalhar por encomendas. E cuidar da minha casa, família e afazeres de mãe.
Alguns meses depois comecei a notar como era muito mais saudável para mim a convivência entre adultos do que ficar cercada e responsável por todas aquelas crianças e adolescentes... Vale citar que há seis anos eu faço tratamento de distimia e ansiedade generalizada. Quando você é professor, torna-se responsável por tudo que aconteça em sala, é muita carga para quem não está conseguindo nem dar conta da sua carga interior. Admiro quem ainda dá aulas... Cuidei de tantas crianças, jovens, durante tantos anos que quando tive minha filha percebi que chegava sempre exausta pra ela. Justamente pra ela, minha filha. Não era o correto. Foi então que percebi que estava no caminho certo. Sair da sala de aula, ter um emprego normal (não sabia fazer mais nada da vida que não fosse relacionado à arte) e conviver com adultos. Isso já mudou minha cabeça...
Depois consegui uma troca de horário, e centralizei meu trabalho na parte da manhã pude olhar pra mim... e me comparar com o resto do mundo. Muitas mulheres se cuidam e se amam mais do que eu amava a mim mesma. Muitas mulheres se cuidam e se amam bem menos do que deveriam.
Eu nunca liguei pra roupas, pra visual, materialismo... Se eu tivesse dinheiro pros meus livros, pra comer, vestir o básico o resto estava certo. Mas de repente, aos 35 anos comecei a me sentir muito velha, muito feia e com a vida desperdiçada e perdida. Sentia meu casamento vazio, e me via apenas como uma mulher que cuida de sua filha, trabalha e desenha. E também tem que estar disponível para o marido. Aí criei uma vida virtual, onde me saía muito melhor porque piloto melhor as palavras do que meu corpo estranho e meu rosto anguloso. Controlo melhor as palavras escritas do que as ditas, na minha expressão sempre ansiosa, sempre atropelando as palavras como se a qualquer momento fosse tocar o sinal do intervalo … Na vida virtual não preciso estar arrumada, bonita nem nada.
Sou filha de pai e avô comunistas, que insistiam em me explicar como funciona o sistema comercial em Cuba, então cresci achando que se eu tivesse dois tênis (um no pé, outro lavando) uma jaqueta forte pro inverno, poucas coisas e muito conhecimento eu seria alguém de valor.
No outro extremo, tenho minha mãe que foi uma moça lindíssima. Sempre tive uma relação complicada com minha mãe e como embate resolvi me transformar na “anti-miss”, só usava roupa barata, coturno, até blusa de saco de batata eu comprava. (alguém lembra daquelas batas de saco de batata que tinha na praça da república, em SP, com temas de Led Zeppelin, Janis etc?) Isso foi me marcando ano após ano. Paralelo a isso cresci com minha mãe falando que por eu ser tão errada, mal arrumada e tudo de ruim no mundo, eu realmente só merecia coisas ruíns, pequenas. E quando a situação afetiva estava bem, ela e meu pai compravam muitos doces e enchiam a casa de coisas gostosas. Comida na casa dos meus pais é afeto. Ultimamente, quando viajo pra lá, noto a quantidade de comida que eles consomem. Consomem frutas, verduras, tudo que é bom, mas em seguida ainda tem espaço pra bolo, chocolate, biscoitos, sobremesas... não tem quantidade, nem horário. Eu mesma quando vou lá, agora que tenho minha casa e meus hábitos, penso sempre o quanto eles exageram. O quanto eu exagerava junto com eles!!!
Claro que cresceu uma mulher gordinha, insegura, escondida numa casca de roupas simples, pretas, preocupada em provar pro mundo que não era nem um pouco parecida com as mulheres que eu abominava. Eu tinha um preconceito natural com mulheres que se arrumavam, que eram bonitas, que se amavam... Pra mim era tudo fútil, vazia. Eu que não gostava que rotulassem pessoas, fazia isso com essas mulheres.
Hoje vejo que com minha doença, criei uma capa de gordura e roupas largas e pretas que me esconde do olhar externo, me esconde do que sou. E aliás, quem sou? Em 1998, encontrei a dança do ventre. Ela abria uma brecha para eu ser um pouco mulher, aquela que eu reprimia 24 horas por dia. Mas criando a personagem dançarina, ficava mais fácil olhar o “eu-mulher” porque ela só durava uns 15 minutos, uma hora, o tempo de uma apresentação. Aí corria pros meus jeans velhos e all star desbotado.
Os homens e minhas amigas sempre dizem que sou bonita. Mas porque então eu preciso me esconder? Eu me escondo do quê, de quem? E comecei este ano a refletir sobre tudo que me incomoda na minha vida a começar então pelo meu peso iô-iô. A primeira vez que me pesei na vida eu tinha 20 anos, não me lembro de ter me pesado antes disso. Eu subi na balança ao lado de um namoradinho que eu tinha. Ele pesou 72 e eu pesei 76 quilos. Fiquei assustada, eu pesava mais do que um homem alto. Não sei o que me deu, comprei uma esteira, fiz dieta e em 4 meses eu pesava 58, 60 quilos... Fiquei ótima e curti um monte esse peso novo. Comprava roupas legais e me sentia a vontade. Então, agora com 35 anos era preciso fazer algo. Porque nesse meio tempo eu oscilei sempre entre 58 à 78 quilos, colocando uma gestação no meio! E agora, aos 35 anos eu estava com 78 quilos, assustada. Pensando que meu caminho estava na reta final mesmo,.. Já pensou nisso? Que bobagem!
Aí parei de achar que a minha felicidade estaria nas mãos do meu marido, da minha filha, das minhas amizades... Quando me enxerguei estava num universo particular de auto-análise profunda, sobre todos os assuntos que me norteiam.

Religião: Eu passei por tantas, tantas... Mas o no quê creio exatamente? Eu creio muito mais na ciência do que nos dogmas que conheci por aí... Eu sinto e entendo que existe algo que não compreendo. Mas não sei se é algo religioso. Não sei se é uma força com nome. E reparei que não me preocupo mais com isso. Percebi que minha religião é apenas me concentrar em ser alguém de quem minha filha sinta orgulho, alguém que eu olhe e goste pelas atitudes, modos e ideais. É ser alguém que não envergonha seus pais e amigos. Quanto às minhas experiências extra-sensoriais, defino apenas como mistérios da vida terrestre que eu, nem ninguém tem conhecimento para denominar..

Casamento: Parei de ficar vivendo de lembranças de ficar comparando o que se foi com o que vivo hoje. Pensando em como viver uma felicidade indestrutível, porque a felicidade não é um estado permanente, é cíclica e precisa de momentos pesados e difíceis porque faz parte da felicidade te mostrar o quanto vc se supera e é forte. Quando olhei pra dentro de mim e vi essa mulher limitada, cheia de defeitos mas também bonita, forte e com qualidades boas, percebi que todos nós somos iguais. Todos que conheço, todos que conheci são exatamente como eu. Possuem qualidades ótimas e defeitos pesados. Então tudo vai depender do que vou exaltar em mim, do que vou exaltar nos outros. Claro que existem pessoas que não conseguimos ver o lado bom em primeiro plano, por inúmeros motivos, mas a maioria das pessoas que me cercam são em sua maior parte, boas.

Amizades: Esse departamento eu tenho muita dificuldade. Sempre fui pessoa de ter muitos colegas e uns poucos amigos. Somos todos assim. Mas depois que mudei de SP para SC isso ficou mais evidente. Aqui fiz poucos amigos íntimos, um ou dois... Mas aí me peguei pensando, mas hoje, com internet e tudo mais... Será que eu não tenho mesmo amigos íntimos? Todos temos essa carência de viver em sociedade, de pertencer a um grupo. O ideal é que vc viva em sociedade com contato físico, possa abraçar, rir, comer junto com seus amigos frequentemente. Mas tanta coisa é “o ideal”... O que é “o ideal”? Pra mim é o que tenho, é meu bem mais valioso, meus amigos de internet. E podem dizer que isso é errado, podem julgar, podem dizer o que quiserem. Aqui tenho pessoas em que, com os anos, aprendi a confiar e atraí as pessoas certas. As pessoas certas pra mim, ficaram. Eu encontrei a minha maneira de suprir essa parcela de amor. Eu amo essas pessoas. Eu tenho sim amigos. A internet me deu isso. E não venha ninguém me dizer que tem menos valor por ser virtual, não é! Não é porque são pessoas, tão ou mais humanas do que as que me cumprimentam diariamente e automaticamente. Elas não me procuram na internet automaticamente, porque é hábito, ou por outro motivo. Me procuram (e eu procuro a elas) por vontade de estar junto, de conversar, de mostrar algo. Porque quando estamos cansados, damos espaço para nós mesmos e não procuramos. É mais sincero do que um bom dia forçado.

Maternidade: Quando a Helena nasceu, ela era tudo. E só tinha espaço pra ela na minha vida. Eu abandonei a mim mesma, ao meu marido, abandonei a dança do ventre, abandonei meu emprego. Não penso se foi certo ou errado. Acho que foi certo, ela precisava muito de mim nos primeiros anos. Mas hoje ela tem 5 anos, vai pro 1º ano do fundamental, gosta de ir pra escola, me conta sobre seu dia, me conta sobre suas idéias, seus gostos e opiniões. Com cinco anos. Ela pensa no futuro dela, o que vai comer amanhã, do que vai brincar, onde quer ir. E percebi que eu não fazia mais isso comigo. Não pensava em nenhum amanhã. Nem do que queria brincar amanhã, nem onde queria ir.
Notei que estava apenas vivendo. Olhando no relógio e pensando “bem, são tantas horas, é hora de fazer comida, hora de ir trabalhar, hora de voltar pra casa, hora de buscar Helena, hora de dormir” Eu não tinha mais sonhos, nem planos. Isso me chocou também. Hoje busco um equilíbrio para nós duas. Eu a vivo intensamente, porque ela é sim, TUDO PRA MIM, mas eu também forço a minha barra para ter um espaço pra mim. Pros meus interesses. Inventei sonhos novos. Sonhos possíveis. Numa escala de possibilidades reais.

Arte: Hoje tenho certeza de que não quero mais concursos, salões de arte, galerias, nada disso. Porque é tudo comércio. Eu adoro vender, claro. Mas adoro vender para quem gosta do que eu crio livremente, não quero pintar pensando se vão comprar ou não enquanto pinto. Hoje sou livre e pinto como quero, não participo mais de concursos, não quero ter minha arte “medida”... Medida na escala de quem? Comparativo com o quê? O mundo tem tabelas demais pra eu comparar e seguir. Seguir?

Dança do Ventre: Quando eu ouvia falar em Dança do Ventre, antes de 1998, eu pensava “Cruzes, aquele bando de mulher pelada rebolando:? Tô fora. Foi tentando conseguir uma professora de dança flamenca que descobri a DV, porque segundo a profa de Flamenco, com meus problemas de joelho, não seria legal ficar com ela... Que a DV fortaleceria minhas pernas e joelhos... Duvidei muito e quis correr pra casa. Ela foi tão educada comigo, e me guiou até a porta da outra sala. A profa tbm era muito querida e fiquei com vergonha de virar as costas e ir embora. Assisti a primeira aula e nunca mais tirei a DV da minha vida... ela sempre esteve lá... horas muito gritante, horas dormente. Mas sempre por perto... Depois comecei a me achar velha e ridicula pra dança. Pensei por muito tempo que era o fim. Mas minhas amigas (aquelas, virtuais...) não deixaram. Sempre me incentivam... e eu estou de volta... timidamente, mas estou.

Eu e meu espelho: porque eu e minha mente, eu e minha cultura eu consigo alimentar facilmente, tenho o habito de ler de tudo, quero aprender tudo... Mas porque aquela pessoa, no espelho não se parecia comigo? Era 2011 e eu estava gorda, feia, com cara de cansada, olheiras das minhas insônias constantes.
Me peguei, nem sei como isso começou exatamente, mas me peguei pensando no quanto eu me escondo. Fui ao médico, ele me recomendou o retorno do tratamento da distimia e da ansiedade. Sempre fui contra remédios, mas é inegável como eu sou uma pessoa melhor medicada. E resolvi finalmente fazer mais uma dieta. Mas não uma dieta. Percebi que por motivos psicológicos eu comia. Comia por carência, por não ter prazer em outra coisa na vida... Comia para acompanhar o grupo. Comia por tudo, menos por fome. Quando comecei a comer de 3 em 3 horas, e muita fruta, e muita água, comecei a ver meu corpo responder. E hoje 4 meses depois estou começando a colher esses frutos. Eu era dependente de açúcar. Comia pelo menos 3 ou 4 doces por dia. Entre biscoitos, chocolates e bolos. E resolvi me encarar como um viciado em alguma substância grave. Eu não fumo, nem bebo, nem uso drogas ilícitas. Eu uso os remédios. Mas não tenho mais vergonha disso. Acordo as 5h00 todos os dias, como bem, de 3 em 3 horas, como coisas gostosas, e vez em quando como chocolate amargo ou meio-amargo. Como amêndoas que descobri serem ótimas para minha saúde. Estou conquistando um novo corpo. Estou redescobrindo o prazer de olhar no espelho.
Hoje gostei tanto de mim, que pensei... acho que nunca fui tão bonita quanto hoje. Após ter parido, após ter sofrido um tanto de coisas... Acho que meu corpo é mais bonito, mesmo mais velho. Eu danço melhor hoje, do que quando era menina... Meu rosto é mais bonito porque viu mais coisas... E também porque resolvi me permitir ser bonita. Porque eu não me deixava ser bela? Por algum motivo eu fazia questão de não ficar bonita.
E agora, termino o ano de 2011 assim:
Orgulhosa de mim, porque identifiquei os principais fantasmas de mim, os principais motivos de carências e baixa auto-estima. Orgulhosa de ter assumido de vez quem eu sou, como sou e como quero ser. Feliz por me libertar e por libertar meu passado. Feliz por pensar somente no hoje e um pouco no amanhã. O passado eu guardei num lugar legal e lá deixei.
Orgulhosa por ter recuperado meu peso ideal, por ter voltado à dança, por voltar a me amar. Feliz com minha vida profissional, com minha arte, com meu casamento e com minha filha que é tudo.
Alerta contra minhas auto-sabotagens. Alerta contra as pessoas que me fazem mal, mesmo quando querem fazer bem. Alerta contra o que me atrai e me desvia do foco.
Assumida em minha personalidade nem sempre agradável, mas meu maior tesouro.
Consciente das minhas qualidades, consciente do meu valor enquanto animal pensante. Consciente dos meus piores defeitos e pensando num modo de doma-los...
Pra encerrar, termino o ano mais feliz do que acho que jamais fui. Porque não me iludo, sei que nada mudou a minha volta. Está tudo praticamente igual ao começo deste ano, as coisas não mudaram, quem mudou foi eu. Eu resolvi ver o mundo de modo diferente. Eu resolvi olhar pra mim mesma de modo diferente. Eu resolvi olhar as pessoas a minha volta de modo diferente.

Olhe ao seu redor também, de repente, você se surpreenderá com o tanto que essas pessoas aparentemente maravilhosas, não o são tão assim... E também se surpreenderá com o quanto você é maravilhosa e nem tinha se dado conta até hoje! Descobrirá muita gente nova e linda. Muita gente boa, diferente... Permita-se.
Eu tenho muito a fazer agora, preciso correr e viver o máximo que puder.
Eu já perdi tempo demais.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Meu hobby. Dança do Ventre.

Dancinha na festa de Natal, tudo improviso, só um momento de descontração mesmo. Lembrando que não sou bailarina profissional (nota-se, obviamente) e que danço por hobby!



E aqui neste segundo vídeo temos a participação especialíssima de Edu e Helena, um chegando como elemento surpresa e a outra me fazendo carinho pra colaborar no cambret... hahaha

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Boas Novas - Cazuza



Boas Novas

Cazuza


Poetas e loucos aos poucos

Cantores do porvir

E mágicos das frases

Endiabradas sem mel

Trago boas novas

Bobagens num papel

Balões incendiados

Coisas que caem do céu

Sem mais nem porquê




Queria um dia no mundo

Poder te mostrar o meu

Talento pra loucura

Procurar longe do peito

Eu sempre fui perfeito

Pra fazer discursos longos

Fazer discursos longos

Sobre o que não fazer

Que é que eu vou fazer?




Senhoras e senhores

Trago boas novas

Eu vi a cara da morte

E ela estava viva

Eu vi a cara da morte

E ela estava viva - viva!




Direi milhares de metáforas rimadas

E farei

Das tripas coração

Do medo, minha oração

Pra não sei que Deus "H"

Da hora da partida

Na hora da partida

A tiros de vamos pra vida

Então, vamos pra vida



Senhoras e senhores

Trago boas novas

Eu vi a cara da morte

E ela estava viva

Eu vi a cara da morte

E ela estava viva - viva!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Quem viver, terá!

Momento de descontração aqui no blog! Música de Zizi Possi pra gente rir um pouco da nossa inimiga celulite!
Tive a honra de doar um segundo pra ajudar a divulgar a brincadeira!
Zizi, você é incrível! Sua proximidade com os fãs, sua igualdade de tratamento, o partilhar sua rotina, dores e alegrias fazem de você essa Deusa de Simplicidade e Talento.

Uma cantora do seu nível, imortalizada por clássicos maravilhosos, por canções difíceis de cantar, arranjos tão refinados, de repente nos surpreende com um "sambode" pra gente cantar e rir junto!

Saber rir de si mesmo é um dom que todas temos que desenvolver!

Amo você lindona!