quarta-feira, 31 de agosto de 2011

POEMA EM LINHA RETA

    "Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
    Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
    E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
    Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
    Indesculpavelmente sujo,
    Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
    Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
    Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
    Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
    Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
    Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
    Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
    Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
    Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
    Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
    Para fora da possibilidade do soco;
    Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
    Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
    Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
    Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

    Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
    Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
    Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
    Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
    Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
    Ó príncipes, meus irmãos,
    Arre, estou farto de semideuses!
    Onde é que há gente no mundo?
    Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
    Poderão as mulheres não os terem amado,
    Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
    E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
    Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
    Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
    Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."

    Álvaro de Campos

    Imagem: "Operários - Tarsila do Amaral 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Favor não confundir histriônicos com artistas de verdade.

Hoje o post é longo porque eu preciso primeiro formar-lhes pelo menos uma idéia básica do conceito sobre o qual vou desenrolar o tema de hoje. A fonte é Wikipédia, pois é um resumo honesto e bem feito. Vejamos:

"Transtorno de personalidade histriônica é definido pela Associação Americana de Psiquiatria como um transtorno de personalidade caracterizado por um padrão de emocionalidade excessiva e necessidade de chamar atenção para si mesmo, incluindo a procura de aprovação e comportamento inapropriadamente sedutor, normalmente a partir do início da idade adulta. Tais indivíduos são vívidos, dramáticos, animados, entusiásticos e paqueradores.
Podem ser também inapropriadamente provocativos sexualmente, expressarem emoções de uma forma impressionável, e serem facilmente influenciados por outros. Entre as características relacionadas estão egocentrismo, auto-indulgência, anseio contínuo por admiração, e comportamento persistente e manipulativo para suprir suas próprias necessidades.

Características
Pessoas com este transtorno em geral são capazes de conviverem normalmente e alcançarem sucesso social e profissional. Indivíduos com transtorno de personalidade histriônica geralmente possuem bons dotes sociais, mas tendem a usá-los para manipular os outros e tornaram-se o centro das atenções.[1] Mais além, o transtorno pode afetar os relacionamentos sociais ou românticos de uma pessoa, assim como sua habilidade em lidar com perdas ou fracassos.


Elas começam bem relacionamentos, mas tendem a hesitar quando profundidade e durabilidade são necessários, alternando entre extremos de idealização e desvalorização. Com o fim de relações românticas podem buscar tratamento para depressão, embora isto não seja de forma alguma uma característica exclusiva a este transtorno.

Elas frequentemente não conseguem visualizar sua própria situação pessoal de forma realista e tendem, ao invés disso, a dramatizar e exagerar suas dificuldades. Podem passar por frequentes mudanças de emprego, pois entediam-se facilmente e têm problemas em lidar com a frustração. Por costumarem ansiar por novidades e excitação, podem colocar-se em situações de risco. Todos esses fatores podem aumentar o perigo de desenvolvimento de depressão.


Entre os sintomas adicionais estão:
Comportamento exibicionista;


Busca constante por apoio ou aprovação;


Dramatização excessiva com demonstrações exageradas de emoção, tais como abraçar alguém que acabou de conhecer ou chorar incontrolavemente durante um filme triste;
Sensibilidade excessiva frente a críticas ou desaprovações;


Orgulho da própria personalidade, relutância em mudar e qualquer mudança é vista como ameaça;


Aparência ou comportamento inapropriadamente sedutor;


Sintomas somatoformes, e utilização destes sintomas como meio de chamar atenção;


Necessidade de ser o centro das atenções;

Baixa tolerância à frustração ou à demora por gratificação;


Rápida variação de estados emocionais, que podem parecer superficiais ou exagerados a outrem;


Tendência em acreditar que relacionamentos são mais íntimos do que na realidade são;



Leu? Agora vamos aos fatos. Eu observo muito as pessoas, seja para retrata-las, seja para conhecê-las e um detalhe sempre me chama a atenção, até que hoje, percebo que é um comportamento repetitivo em pessoas com mesmas características.
 
Fato um - Existem muitos histriônicos de talento artítisco inquestionável.
Fato dois - Existem muitos histriônicos sem talento algum.
Fato três - Existem muitos histriônicos sem talento algum que tentam nos convencer do contrário.
Fato quatro - E eu estou ficando com o saco bem cheio de gente doente que se passa por "gênio da arte"
 
Vamos listar?
1- Tô de saco cheio de bailarina sem técnica que põe roupa sexy, rebola e acha que está dançando horrores. Meu bem, estética conta pontos, mas não segura e nem mantém carreira profissional.
2- Também cansei de músicos, cantores, cantoras, que se projetam como se estivessem no palco da Broadway, com caras e bocas e currículos do tipo "Toco/danço/canto/desenho desde os 4 anos de idade, onde meus familiares já reconheciam o alto nível do meu talento, e blá blá blá..." Vou ter que chocar você agora, TODO MUNDO QUE TEVE UM MÍNIMO DE INFÂNCIA, batucou, cantou, dançou e desenhou na pré-escola e em casa também. Pergunte pra sua mãe.
3- A pessoa acaba de te conhecer e já te ama, já se enfia na sua vida-casa-geladeira-armário-facebook e se bobear, conta corrente. E acredita que vc sente tudo isso por ela também. Fique calmo, se eu te amar, eu te aviso.
4- A gente percebe quem faz arte porque é assim mesmo, porque realmente vem da alma da pessoa, porque ela faz isso há anos e não desiste. Nota-se na coerência de seus atos, no equilíbrio do que faz, enfim, a pessoa não fica criando oportunidades só pra ganhar aplausos, pra se alimentar e sobreviver deles.
5- E os "amados-amantes", gente, parem de posar de sexy symbol do ano, porque é ridículo a pessoa aparecer no meio do gueto vestido com roupa e pompa de entrega do Oscar. Também é ridículo ficar se insinuando para todas as pessoas comprometidas do recinto. Vira piada depois tá?
 
E antes que comecem a me pedir os nomes dos bois, já adianto que este post já vem sendo tramado há anos, porque eu vejo tudo isso aí desde meus 20 e poucos anos, mas é um todo tão recorrente, tão recorrente que hoje resolvi partilhar...
 
Ai cansei viu gente?
 
 

sábado, 27 de agosto de 2011

Edith Piaf - Non Je Ne Regrette Rien (Live)


Não, Eu Não Me Arrependo de Nada

Não! Nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal - isso tudo tanto faz! (5)

Não, nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado! (2)

Com minhas lembranças
Acendi o fogo (3)
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus temores (4)
Varridos para sempre
Recomeço do zero.

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo tanto faz! (5)

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ela me feriu.

Se você gosta de música desde criança deve ter alguma lembrança de como essa paixão começou... Pois bem, eu tenho e esses últimos dias pude revisitar muitos destes sentimentos..
Na casa dos meus pais, no bairro da Liberdade, em São Paulo, ouvia-se mais rádio do que se via TV. O rádio ficava ligado quase o dia todo, minha mãe ouvindo notícias, geralmente na Rádio Bandeirantes, e de manhãzinha aquelas narrações sanguinárias dos crimes da semana no programa do Gil Gomes, acho que rádio Record não me lembro... 

Meu pai ouvia notícias também, mas também os programas da Cultura AM e FM, onde se ouvia muito Chico Buarque, Caetano, GIl e afins dos anos 70 e 80...
E foi talvez numa dessas trocas de aparelho que eles me deram em 1985 um rádio AM/FM, eu era criança e aquele rádio para mim era como uma relíquia, algo muito valioso, sendo que a maioria das minhas amiguinhas ouviam música no rádio familiar, único na família.

Eu estudava de manhã, à tarde fazia meus deveres e corria pro meu radinho. ERa época de ouvir Blitz, Lobão, Marina Lima, Zizi Possi, Guilherme ARantes, Léo Jaime, RPM, Jorge Ben, Sandra Sá, enfim, eu me amarrava naquilo tudo! Bastou um ano de rádio que pedi um violão pro meu pai, ele me comprou um DI Giorgio, série estudante, que era tudo pra mim. Aí chegou a hora de tentar ir além da aulinha oferecida para o professor às meninas da 4ª série do colégio de freiras...
Comprei uma revistinha de cifras, em papel jornal (quem se lembra dá um sorriso!) e fiquei tão feliz, lá tinha "Perigo" que na época era sucesso na voz da Zizi Possi. Claro que não sei  o que era pior, eu cantando no naipe da Zizi ou tocando violão, mas estava selada a minha paixão pela música. O violão durou alguns anos, mas sem que eu conseguisse algum progresso digno de registro.... Mas o canto eu persisti por mais tempo, persisto até hoje com alguns progressos medianos, mesmo com a recordação da minha mãe me dizendo  que eu não tinha muito futuro como cantora, rs* Aí resolvi que a partir daquele momento eu só cantaria dentro do guarda-roupas, trancada no quarto, com o volume do som alto para me ocultar, seria melhor e mais seguro para todos.

Até hoje ouço rádio, tento cantar com alguma dignidade, e mantenho as paixões pelos mesmos ídolos.
E no último dia 14 de agosto pude finalmente ir à um show da lindíssima Zizi Possi. Os meus amigos mais próximos sabem o que isso significa para mim, eu tenho uma identidade com a obra dela desde os já narrados anos 80. Nos anos 90 ela embalou minhas paixões, as dores, amores, reflexões... identidade. Porque música é assim, a gente ouve, sente e ela nos pega ou não. Eu já fui em muitos shows maravilhosos, já vi Caetano, Rita Lee, Marisa Monte, Alceu Valença, Chico Cesar... mas olha... o que a Zizi Possi arrancou de mim no último sábado, não tem palavras.

Ela entrou no palco entoando os vocalizes de "A Paz" do Gilberto Gil, aquele timbre, aqueles vocais, vão crescendo conforme ela entrou  no palco e junto com as luzes ela se revelou iluminada, clara, límpida como sua  voz que a essas alturas já entrou na sua alma e quando eu me percebi, estava perdida no universo daquela criatura imensa.
Eu imagino que a Zizi tenha destruído muitos corações na vida, homens e mulheres, porque é impossível passar batido por essa mulher. Não digo só pela voz, mas pela presença dela, a presença agride o nosso olhar com tanta beleza e força de espírito. É uma beleza que incomoda, porque é inquieta, é doce, mas estrondrosa, é delicada, mas intensa. E as músicas que ela seleciona pra cantar, pela força com a qual ela interpreta, desnuda um pouco do ser humano, interior, denso. Não tem como ser só suave, a voz é suave, mas as canções são arrebatadoras... Ela provavelmente já viveu na carne cada uma das emoções que canta. É só assim que uma mulher canta "As rosas não falam" e consegue se emocionar todas as vezes como se fosse a primeira vez...

Ela fez um show incrível, mesmo tendo comentado estar muito emotiva, mesmo sem ter feito um bis... o que ela nos ofereceu durante o show , já foi tanto, tanto, que pedir um bis soaria como ofensa. 
O retorno do público era notável, todos cantavam junto com ela, o que ela pedisse, seria acatado. Domínio dos graves, dos agudos, das longas extensões, dos crescentes... domínio de cada uma das pessoas presentes naquela noite. Maestrina de notas e gente. Ela saiu do palco mais cedo, mas ela pode. Ela pode tudo.
Eu levei alguns dias para me refazer, ainda estou mexida, mas consigo catarsear um pouco do que ela fez comigo. Me confunde, porque foi horrível o que ela fez comigo, mas foi a coisa mais maravilhosa que já vi. Ela me arrebatou, ela me destruiu. Do modo mais lindo que há, mas foi como levar uma surra mesmo, não consigo explicar de outra forma. Meu peito doía no dia seguinte ao show, ainda falta ar de vez em quando, se começo a rever os momentos. Que voz perfeita, interpretação profunda, Arte, com letras maiúsculas e douradas.
Ela fere, com seu amor, sua delicadeza, com sua força, com sua sensibilidade que transborda de seu olhar, o modo como move as mãos, como silencia na hora certa. Ela fere.
E se já não feriu, ainda vai ferir você.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Para Zizi

E então, diáfana,
Ergueu-se a minha frente aquela criatura irreal,
Cuja voz me conduziu por caminhos sagrados
Onde a mim, vulgar espectadora,
Foi dado por alguns instantes o direito à luz
Eu, tão íntima das trevas,
Fui erguida por tamanha delicadeza,
Por uma voz que é fusão de cristal e trovão
Uma força que expandiu os limites da casa,
Rompeu com o bem e o mal,
Me despedaçou
E agora, já não sei o que fazer comigo,
Reduzida às lágrimas e às lembranças daquele brutal aroma de rosas...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Ne Me Quitte Pas


Só ela gravou essa música da maneira que me leva às lágrimas... a sentir o significado real dessa letra maravilhosa...













.


Ne Me Quitte Pas
Composição: Jacques Brel

Ne me quitte pas

Il faut oublier

Tout peut s'oublier

Qui s'enfuit déjà

Oublier le temps

Des malentendus

Et le temps perdu

A savoir comment

Oublier ces heures

Qui tuaient parfois

A coups de pourquoi

Le coeur du bonheure



Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas



Moi je t'offrirai

Des perles et des pluie

Venues de pays

Où il ne pleut pas

Je creuserai la terre

Jusqu'après ma mort

Pour couvrir ton corps

D'or et de lumière

Je ferai un domaine

Où l'amour sera roi

Où l'amour sera loi

Où tu seras reine



Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas



Ne me quitte pas

Je t'inventerai

Des mots insensés

Que tu comprendras

Je te parlerai

De ces amants-là

Qui ont vu deux fois

Leurs coeurs s'embraser

Je te racontrai

L'histoire de ce roi

Mort de n'avoir pas

Pu te rencontrer



Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas



On a vu souvent

Rejaillir le feu

De l'ancien volcan

Qu'on croyait trop vieux

Il est paraît-il

Des terres brûlées

Donnant plus de blé

Qu'un meilleur avril

Et quand vient le soir

Pour qu'un ciel flamboie

Le rouge et le noir

Ne s'épousent-ils pas



Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas



Ne me quitte pas

Je ne vais plus pleurer

Je ne vais plus parler

Je me cacherai là

A te regarder

Danser et sourire

Et à t'écouter

Chanter et puis rire

Laisse-moi devenir

L'ombre de ton ombre

L'ombre de ta main

L'ombre de ton chien

Ne me quitte pas



Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Fotos da Vernissage "O Charme do Mundo" - Espaço Cultural Rita Maria

Pessoal, foi uma noite bem legal, não pude tirar muitas fotos porque estava mais preocupada em conversar com a turma porque estava engraçadíssimo! Quem tem amigos tem tudo, já diz o ditado né?
Mas deixo alguns momentos bem legais!
MUITO OBRIGADA A TODOS QUE COMPARECERAM!

















terça-feira, 2 de agosto de 2011

Release - "O Charme do Mundo"

O Charme do Mundo

Ghiza Rocha

A exposição exibe pinturas de pessoas, objetos e pequenos detalhes que atraem o olhar da artista. O Charme do Mundo é composto das cores e formas de pessoas especiais, que por onde passam deixam sua marca e os objetos retratados são também dotados de charme próprio, pois remetem o grande público a épocas e sentimentos relacionados a estas. Os poemas, também de autoria da artista, ponteiam momentos onde uma profundidade por vezes sombria, contrasta com a exuberância de cores saturadas.

A mostra pretende levar ao público cada um desses personagens revelados pela linguagem de Ghiza Rocha, onde com seu estilo urbano, marcante, de cores fortes e colagens revelam-se as belezas do nosso cotidiano.

Ghiza Rocha é paulistana, tem 35 anos é licenciada em Artes Plásticas, especialista em História da Arte. Foi professora de artes de 1995 até 2011. Hoje se dedica a sua produção em ateliê próprio. Faz retratos hiper realistas a lápis, em pop art e nanquim.