sexta-feira, 29 de julho de 2011

Raízes

Acolhia-te morno,
Regresso em mim através de mensagens,
Cartas de um tempo passado, com as quais tento, tolamente,
Reconstruir as minhas horas
Apoiando-me numa verdade imaginária,
Para que me doam menos essas mentirosas feridas...
E por mais que ocultasse esses pensamentos,
Os anos delatam as profundas raízes
Que, insistentes,
Emergem da terra relembrando sua existência...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

"A peleja do diabo com o dono do céu"

Têmpera e colagem sobre painel 64 X 84 cm - da série "O Charme do Mundo" - 2011

A Peleja do Diabo com o Dono do Céu


Zé Ramalho

Composição: Zé Ramalho

Com tanto dinheiro girando no mundo

Quem tem pede muito quem não tem pede mais

Cobiçam a terra e toda a riqueza

Do reino dos homens e dos animais

Cobiçam até a planície dos sonhos

Lugares eternos para descansar

A terra do verde que foi prometido

Até que se canse de tanto esperar

Que eu não vim de longe para me enganar

Que eu não vim de longe para me enganar



O tempo do homem, a mulher, o filho

O gado novilho urra no curral

Vaqueiros que tangem a humanidade

Em cada cidade e em cada capital

Em cada pessoa de procedimento

Em cada lamento palavras de sal

A nau que flutua no leito do rio

Conduz à velhice, conduz à moral

Assim como deus, parabéns o mal

Assim como deus, parabéns o mal



Já que tudo depende da boa vontade

É de caridade que eu quero falar

Daquela esmola da cuia tremendo

Ou mato ou me rendo é lei natural

Num muro de cal espirrado de sangue

De lama, de mangue, de rouge e batom

O tom da conversa que ouço me criva

De setas e facas e favos de mel

É a peleja do diabo com o dono do céu

É a peleja do diabo com o dono do céu

Ghiza Rocha no "Floripa em Foco" - em agosto!

Dia 05/08 as 13h30m, Ghiza Rocha ao vivo, no programa Floripa em Foco - TV Floripa - Canal 4 NET Florianópolis, pra gente falar de arte!


Assista ao vivo pela net!
 http://www.tvfloripa.org.br/

domingo, 24 de julho de 2011

Se quiser, pode virar a página comigo! Tia Rita ensina!

Saúde

Rita Lee

Composição: Rita Lee/Roberto de Carvalho
Me cansei de lero-lero
Dá licença, mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima, nesse chove-não-molha
Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim
Como vai? Tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar, não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte de gente feliz
Como vai? Tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar, não vou chorar, não!
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte de gente feliz

sábado, 23 de julho de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Vaidade, o Orgulho e o Amor próprio no mundo da arte. (Ou: Meu sangue é B+, não quer levar um pouco também?)

Hoje eu preciso falar sobre um fator muito importante e que acaba sendo tema na vida de todo artista que pretende seguir sua vida produzindo seja qual for a forma de arte.
Um fato: Todo artista é vaidoso. Precisamos muito de aplauso, de público. Queremos ser vistos. Elogiados, criticados, mas acima de tudo, comentados. 
Todo artista é vaidoso, mas o tempo e a maturidade fazem a gente encontrar um equilibrio entre reconhecimento e o rastejar atras de fama... Ontem me aconteceu um fato que me fez refletir muito sobre isso... não porque fosse a primeira vez que aconteceu, pelo contrário, mas me espanta ver que "ainda acontece" e que "ainda tem gente assim" no mundo.
Olha, todo artista é vaidoso, mas temos que preservar nossa dignidade sabe? Muitas pessoas pensam que só porque todo artista sonha com reconhecimento, notoriedade, vamos topar todo e qualquer tipo de negociação. É nessas que o músico toca praticamente de graça no barzinho pra ser visto e tomar umas cervejas depois, a bailarina dança quase de graça no evento pra sair nas fotos das publicações e ter seu nome nos cartazes, que o ator faz a peça a preço de banana pra ser visto pela empresa que um dia talvez possa patrocinar algum trabalho seu, é nessas que o artista plástico vende ou troca suas pinturas, criações únicas, por favores tolos, por contatos medíocres e uma pseudo fama que não o levará a lugar nenhum.
Eu já troquei obra de arte por trabalhos de colegas, com muito orgulho, porque valia a pena, eram pessoas que estavam "realmente trocando", não havia aquela coisa no ar de "eu estou me dando bem às suas custas". Mas quando a gente nota que a pessoa só tem a ganhar com aquilo e você será lesado... aí muda tudo de figura.
Falo por mim, que não quero só ganhar o dinheiro. Vender o quadro não é tudo. Tenho alguns quadros que não vendo nem a pau! Porque eles tem significado forte para mim. Não vendo. Não se faz arte só por dinheiro minha gente. Duvido que minhas amigas bailarinas (de todos os estilos) dancem só pelo dinheiro (leia-se dinheiro como "benefícios materiais em geral"), duvido que meus amigos músicos toquem só pelo dinheiro. Tem muita coisa em arte que a gente faz de graça. Mas fazer pra sustentar exploradores??? Não dá meu povo. Artista há muito tempo deixou de ser aquele sonhador hiponga que aceita trabalhar em troca de pão dormido.
Eu me recuso a implorar por "fama", aceitar todo tipo de negócio pro "meu nome ficar conhecido", "pra ser visto".
Eu sei que se frequentasse mais eventos de arte, mais baladas, mais vernissages eu ficaria mais conhecida, mas eu detesto balada, fico mega tímida em evento de arte, não curto muito.
Eu quero que meu trabalho apareça, não minha imagem física.
Hoje eu aceito que posso passar uma vida como anônima, mas serei eu mesma, não um eu fabricado para agradar a sociedade. Isso também se chama Orgulho. Que pode ser bom ou mau.
Orgulho também pode te tirar algumas boas oportunidades, então a gente tem que ceder as vezes. Mas AS VEZES e não SEMPRE. Todo artista já foi feito de bobo por alguém, em algum evento, exposição, mostra... mas uma vez, ok. Duas já é burrice e falta de amor próprio, por si, por sua arte.

Eu cansei disso tudo. Hoje eu protejo muito meus desenhos e pinturas. Prefiro não vender do que sacrificar um trabalho. Prefiro presentear alguém que eu saiba que vai valorizar do que ceder a exploradores.
Eu protejo meu trabalho, porque é a única coisa que vai ficar de mim aqui na Terra depois que eu morrer.
E mesmo assim, só vai ficar se alguém guardar. Por isso, escolho bem o tipo de negociação. Meu trabalho é parte de mim, eu me amo, me respeito, respeito minha arte.
E você também artista, respeite a sua.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Segunda Chamada!





















“O Charme do Mundo” é a nova exposição
da artista plástica Ghiza Rocha.

São pinturas feitas em técnica mista de têmpera, acrílica e colagem onde a artista reúne pessoas, objetos, fragmentos de mundo que carregam significado, que agregam ao seu modo, beleza, poesia e colorido numa linguagem própria e popular.

Apropriando-se de cores contrastantes, citações de autoria própria e recordações do passado, a artista trás ao público uma variedade de imagens interessantes, que associadas aos poemas da artista também expostos na mostra, compõem um momento singular dentro da grande movimentação do centro de Florianópolis


Quando: De 03 a 31 de agosto

Onde: Espaço Cultural Rita Maria - Rodoviária Rita Maria/Centro de Florianópolis.

Informações fone: (48) 3212-3163

sábado, 16 de julho de 2011

Vambora, vambora!

Vambora, vambora! by Ghiza Rocha
Vambora, vambora!, a photo by Ghiza Rocha on Flickr.

Têmpera e colagem sobre canson 30X40 cm - 2011 - da série O Charme do Mundo...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Valsa Brasileira - Chico Buarque e Edu Lobo

 

 

 

 

 

 

 

 

Valsa Brasileira 

Composição: Edu Lobo e Chico Buarque

Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer

terça-feira, 12 de julho de 2011

Amor em pedaços

 Inverno lembra aconchego, conforto... E crochê, tricô, bordado... essas artes femininas "do passado" também me remetem a tudo isso...

Eu me lembro até hoje da minha manta de crochê, minha ja falecida avó paterna Doracy Guerra confeccionou para mim, (na proxima viagem à SP prometo trazer a mantinha para fotos no blog) ela ainda existe e aquece bastante!

E eu queria muito que minha filha tivesse uma manta de crochê que a acompanhasse da infância até a vida adulta. Mas cadê vovós crocheteiras e tricoteiras? Hoje em dia não se faz mais avó como antigamente... rs* As duas avós da Helena não chegam nem perto de agulhas e lãs...
Mas eu, como boa nostálgica que sou, faço a vez das vovós!
Vocês se lembram daqueles quadrados de crochê da vovó (granny squares)?
Pois eu acabei de realizar esse sonho! Mesmo em paralelo com as pinturas da exposição eu fiz 117 quadrados e os uni em 13 fileiras de 9 quadrados para confeccionar a manta da Helena! Não é a primeira manta, porque eu fiz duas mantas tamanho bebê pra ela quando eu estava grávida, mas é a primeira manta de quadrados que eu fiz!
 Estou orgulhosa e feliz com o resultado, ela adorou e o melhor viu boa parte do projeto sendo feito, eu fazia alguns no trajeto do onibus: casa-trabalho-trabalho-casa e também após o jantar vendo TV.

Vejam a foto da manta terminada!



Update: Meninas, muitas me escreveram pedindo para postar um gráfico dos quadrados, eu não tenho gráfico próprio pra postar porque é uma receita que aprendi ha alguns anos e decorei. Mas aqui tem um site que ensina e depois dá pra passear nos outros posts que tá cheio de coisa linda pra aprender! Visitem o Super Ziper!
E boas artes para todas!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Mais novidades...




















"...O meu dono é a solidão..." - Têmpera e colagem sobre canson - Da série "O Charme do Mundo" - 2011





















"Signo Chinês - Têmpera e colagem sobre canson - Da série "O Charme do Mundo" - 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres"


"...sentou-se para descansar e em breve fazia de conta que ela era uma mulher azul porque o crepúsculo mais tarde talvez fosse azul, faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta de que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate, e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta verde-cintilante, faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava de morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus,... "
(C. L. em "Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres" )