sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sexta-feira da paixão.

Nesses feriados religiosos eu me sinto muito isolada das pessoas em geral. 
Vem à minha mente recordações de infância, minha infância Católica onde tudo era fé, amigos, missas, rituais, datas etc.
O tempo passou, abandonei o catolicismo, fiquei sete anos no budismo, depois conheci esoterismo com wicca e essas coisas, conheci profundamente Tarô e Numerologia, depois fui parar no espiritismo, conheci candomblé, na umbanda fiquei dez anos. E fora as outras religiões que li e visitei ...Mas é preciso dizer que nunca me sinto totalmente fiel a nenhuma delas, a dúvida sempre me acompanha. Não há religião que eu conheça que me deixe confortável, porque a única coisa que me move mais do que qualquer fé é o pensar e a dúvida. 
Eu não sei a Verdade. Mas tenho certeza de que ninguém aqui sabe. E por mais que eu pense na origem do Homem, da Terra e do Universo, mais entendo que esse assunto é muito maior do que eu, e maior do que qualquer outra pessoa ou organização humana pode interpretar. Eu enxergo a minha minúscula existência perante todos os assuntos do universo, poucos enxergam a sua própria pequenez. E me sinto mal porque não consigo mais encontrar aquela minha inocência de quando eu acreditava em deuses, ou deus, ou santos, ou orixás, ou energias e o que o valha. Eu não consigo aceitar que para amarmo-nos uns aos outros, sermos bons de coração, honestos e dignos, precisemos se-lo por motivos religiosos. Eu não aceito que amar, acolher os que sofrem seja uma qualidade dos que oram por algum deus. Mas fico triste quando vejo amigos muito queridos que possuem sua fé inabalável na religião que escolheram. Fico triste não por eles, mas por mim, que gostaria muito de ter essa fé, esse coração puro, mas o meu coração é marcado por tudo que já se passou, é marcado pelos meus pensamentos mais profundos e individuais.
Eu não consigo mais crer, é isso. Eu não gosto de orações decoradas, repetitivas, mas também quando vejo um grupo reunido orando não consigo não pensar que naquele grupo, de dez pessoas por exemplo, apenas 3 oram de coração, o restante, incluindo a mim se lá estiver, estará pensando em outras coisas, como eu que estarei pensando nisso nesse suposto momento. E fico lembrando de todos os lugares onde passei e vi pessoas se reunindo em nome de algo bom, e essas mesmas pessoas momentos depois julgando as demais, maldizendo seus colegas e fazendo coisas bem feias pra quem pretendia "comungar" em grupo.
Eu também faço tudo isso, mas não quero mais ficar fazendo de conta que pertenço a um grupo e que fico orando por coisas boas. Eu acho que posso tentar parar de fazer "meus pecados", tentar ser alguém melhor, pelo simples fato de que eu desejo isso, por acreditar que isso é algo bom, valoroso enquanto ser humano. 
Pra mim, depois de todos esses anos visitando religiões (e me entregando profundamente a elas) eu preciso assumir que hoje, 2011, eu acredito que as religiões não fazem a menor diferença naquilo que a pessoa se torna. Quem presta, presta, quem é doente mental é doente e sai matando e fazendo merda em nome de deus, mas poderia ser em nome do cachorrinho também, porque se é doente tudo vale, quem é bom é bom, não importando qual fé professa. E "se" professa.
Eu não consigo acreditar em nenhuma dessas versões de "deus" pelo simples fato de que foram criadas por homens e nenhum dos homens conhece deus. Conhece apenas o que "acredita" ser deus. Do mesmo modo que eu conheço arte apenas pelas coisas que acredito ser arte. 
E não acho que precisamos acreditar em  deus. Precisamos, sim, ser mais honestos, mais trabalhadores, mais fiéis às nossas crenças, mais fiéis à nossa família, aos nossos pais, precisamos viver melhor a vida, observar mais os pássaros, as plantas, os mares, a VIDA. Precisamos perdoar nossos próprios erros e os dos nossos companheiros na Terra, precisamos ter mais amizades, precisamos criar melhor nossos filhos, precisamos experimentar mais coisas, conhecer mais de tudo que existe. 
Precisamos tentar amenizar nossos defeitos, aprimorar nossas qualidades, desfrutar mais dos dons dos nossos companheiros, mas tudo isso independente do fato de haver ou não um deus, e sim, pelo fato de que somos humanos, pensantes, e que ser bom é apenas uma condição natural da nossa raça. A maldade existe porque muitas pessoas desistiram de ser boas. Devemos ser bons não pela existência de um deus, que nos julgará, punirá ou premiará. Devemos ser bons por uma questão de defesa, defesa daquilo que sabemos que nos destrói. Devemos ser bons porque queremos o melhor pra gente e para os nossos. E não porque deus está lá nos vendo. Porque pode ser que ele não esteja.


2 comentários:

Sara Carvalho disse...

Adorei o texto, Ghi!
Eu tenho minhas crenças, mas gostaria de ter mais fé, principalmente em mim mesma.
Acredito que as pessoas devam ser boas porque se sentem bem em sê-lo e não para agradar gregos ou troianos.
Sei que às vezes os bons são tachados de bestas, e eu já fui chamada muitas vezes de boba, dizem que eu acredito demais nas pessoas, que não tenho maldade no coração. E eu sou assim.. HAHAHA! Mas eu só posso dar o que eu tenho, né?
Abraço!

Bety Damballah disse...

è exatamente isso ... E por ser isso é trite tbem ... Sinto falta de alguns cheiros da infancia que me faziam sonhar ... por que eu acreditava ... mas é isso!! Texto PERFECT!!! Beijunda!!!