sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Eu sou eu, Nicuri é o diabo.

Eu deixo o carro em casa e vou para o trabalho de ônibus.
Aqui em Floripa é assim, são poucos caminhos, esburacados, mal sinalizados.
Vou de Ônibus.
E ônibus é o melhor lugar do mundo para ficar pensando, no que você quiser!
Eu, particularmente, preciso de TRÊS ônibus para chegar ao trabalho, são quase duas horas de transporte, então imagine a mente fértil né?

Foi numa dessas que encanei de reparar nas pessoas. Adoro olhar gente, porque eu sou retratista e cada rosto "tem seu mistério, seu sofrer sua ilusão..."
Aí notei que algumas pessoas são esquisitas. Uns diriam "bregas" (não no sentido Sidney Magal, luxo e glória - mas no sentido que os paulistanos usam) outros diriam cafonas, sei lá. Mas fiquei pensando o que faria alguém cafona...
Tem mil e uma explicações, mas eu acho que descobri uma delas:
Olhe em volta. A pessoa que mais soa ridículo ao seu olhar é aquela que está tentando parecer ser algo que não é.

Vamos exemplificar.
A pessoa é simples, tem uma função simples, um trabalho comum e vai pro trabalho de tênis, calça jeans, bolsa tipo mochila. Ok. Aí ela não se dá por satisfeita e coloca mil pulseiras douradas, barulhentas, esmalte vermelho tomate, muitos colares e brincos gigantes. Tá lá, não se decidiu se quer ser esporte, fina ou sei lá...

O resto vale pra tudo. Aquela pessoa no seu serviço que é estranha? Ela com certeza tá tentando parecer o que não é.
Eu fico sempre esquisita quando tenho que colocar alguma roupa na qual não me sinto bem, quando tenho que manter uma aparência que não é meu natural, sempre esquisita! Quando tento parecer alguém que não sou!

E vamos aprofundar mais e chegar naquelas horas em que a gente se sente mal com algo ou alguém. Provavelmente fomos obrigados (socialmente, profissionalmente, sei lá) a ser ou aparentar algo que não concordamos. Violência.
Violência emocional, pode ser social, pode ser estética.
Querer, precisar, tentar, sei lá como, mas forçar uma barra daquilo que não se é, nunca vai ficar natural, nem bonito.

Seja simples, metidona, seja esporte, seja quietinha, seja chique a beça, seja expansiva, seja barulhento, seja tosco, seja nerd, seja burro!

Mas seja você mesmo.

É uma idéia repetida, eu sei, mas a gente vive esquecendo.
E vive tentando convencer a si próprio de coisas que não convencem nem um pouco...
Mas isso tudo são coisas do mundo...

Mas podemos evitar.
Aliás, podemos nos libertar e sermos somente o que somos, dá menos trabalho, é mais digno, e seremos originais, sempre.

Bonito é ser o que se é.


Ps: Eu acho Zé Bonitinho "raio, estrela e luar". Ele era ele. Apenas isso! hahahah

Um comentário:

Nádia Ilvana disse...

Tanta gente fora do padrão se torna bonita por ser o que é, e tanta gente esteticamente linda não nos encanta por ser artificial.

"Eu sei quem sou
E por onde vou
Eu sei quem sou
E por onde estou"