quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Caipiragem

Eu tenho uma caipiragem dentro de mim que eu amo...
Esqueçam toda essa pintura maquiagem, porque no fundo eu tenho (também) isso dentro de mim:



E segue a letra, porque é lindíssima... e eu tbm amo poesia, ainda mais poesia caipira!
Salve o interioooorrrr!

"Peão"
Almir Sater

Diga você me conhece


Eu já fui boiadeiro

Conheço essas trilhas

Quilômetro, milhas

Que vem e que vão

Pelo alto sertão

Que agora se chama

Não mais de sertão

Mas de terra vendida

Civilização



Ventos que arrombam janelas

E arrancam porteiras

Espora de prata riscando as fronteiras

Selei meu cavalo

Matula no fardo

Andando ligeiro

Um abraço apertado

E um suspiro dobrado

Não tem mais sertão



Os caminhos mudam com o tempo

Só o tempo muda um coração

Segue seu destino boiadeiro

Que a boiada foi no caminhão



A fogueira, a noite

Redes no galpão

O paiero, a moda,

O mate, a prosa

A saga, a sina

O "causo" e onça

Tem mais não



Ô peão....



Tempos e vidas cumpridas

Pó, poeira, estrada

Estórias contidas

Nas encruzilhadas

Em noites perdidas

No meio do mundo

Mundão cabeludo

Onde tudo é floresta

E campina silvestre

Mundão "caba" não



Sabe, "prum" bom viajante

Nada é distante

"Prum" bom companheiro

Não conto dinheiro

Existe uma vida

Uma vida vivida

Sentida e sofrida

De vez por inteiro

E esse é o preço "preu" ser brasileiro

 
 
 

Um comentário:

Carlinha Salgueiro disse...

Ghiza, oiii!
Não sei porque não dá pra comentar no post dos MEUS quadros (que chegaram lindos e perfeitos hoje aqui em casa), mas aproveito este aqui pra dizer que pegaria fácil Almir Sater se ele quisesse!
Abandonaria batons e perfumes e viraria Amélia de fazenda numa boa!
Beijos!