terça-feira, 20 de julho de 2010

Sobre arte, virtuose, profissionalismo e a Maria Bethânia

Há tempos me cansei de discussões no orkut. Cansei porque cansei. Mas hoje achei uma discussão válida e que dá muito pano pra manga...
Uma pessoa questionava se o desenho hiper-realista é considerado arte ou não, quando baseado em fotos alheias, fotos de artistas. Outro perguntava quem é profissional, outro se uma cópia a lápis de fotografia (arte de outra pessoa) é arte etc...
Bem eu vou falar né? Não sei ficar quieta mesmo...

Eu faço desenho realista, não sei ele é "hiper" realista ou não, também não me importo nem me preocupo com isso. Eu também faço pop art, também não sei se é uma "boa" pop art ou não. Mas com isso eu me preocupo um pouco mais, rs*

Bem, no desenho realista o povo gosta de falar de um monte de nomes, e dá-lhe Nelves, Nimra, Linda Huber e mais um monte deles... assim, eu gosto de citar que eles são mestres no VIRTUOSISMO o arte do lápis grafite, e o grande barato deles é esse, mostrar o pleno domínio do material, o domínio da luz e sombra. E isso se consegue reproduzindo imagens prontas, onde podemos comparar a imagem original e o trabalho feito sobre ela. E no momento em que eles CRIAM suas imagens, se expressam, comunicam algo, estão fazendo arte TAMBÉM, mas aí a gente não tem um original pra comparar, porque foi uma invenção, mas é só olhar pra sacar que é realismo puro certo? E captar a mensagem dele também, lóoooogico.

Eu, Ghizinha do Glycério para o mundo, julgo o "meu" trabalho assim: Eu faço desenho realista pra estudar, para meu aperfeiçoamento, para quando eu precisar desenhar as MINHAS ideias, eu esteja preparada, treinada pra isso. Eles me ajudam a enxergar a pintura de modo diferente. Eu não exponho meus desenhos realistas pensando serem arte MINHA, não é minha expressão particular, eles são quase que um passatempo, um aprofundamento de estudo de luz e sombra, só isso.
Quando me solto e pinto, aí sim, é a minha linguagem artística.

Mas cada artista tem a sua forma de expressão. Tem o povo do realismo, os caricaturistas, os pop, os expressionistas, e  por aí vai embora.... Assim como tem teatro, dança, música, literatura...

Um exemplo, quando um artista canta, somente canta, não compõe, vamos falar de Bethânia, ela que eu saiba, não tem composições dela, se tem, não são maioria. Ela canta composições de outros artistas, mas interpreta ao seu modo, com sua arte que é a sua voz, seu poder vocal (maravilhoso por sinal). Ela é artista sim.

Aí o povo vem e fala que desenhista bom a gente reconhece o traço sem ver a assinatura. Nem sempre.
Tem uns fulanos que bombardeiam a gente pela net, com seus desenhos, que são realmente inconfundíveis, mas pela tosquice e feiúra. Então identidade não é parâmetro para saber-se "artista profissional" ou não.

Então quando é que o artista pode ser reconhecido como profissional?
Ao meu ver, quando ele está apto a enfrentar o mercado de trabalho, quando ele consegue espaço no mercado (não significa vender alguns desenhos por ano, para amigos e conhecidos) consegue vai vender suas obras, cursos, oficinas, como meio de sustento próprio. Saca aquele lance de "auto-sustentável"? Por aí... E isso é difícil... O que o faz apto? Boa qualidade. Só isso. Você se propõe a desenhar a lápis, e domina o material. Você vai pintar e domina a técnica, consegue extrair do material uma boa porcentagem do que ele tem a oferecer. Quem é bom, BOM mesmo, sempre consegue emprego, trabalhos extras, é procurado, é posto em evidência. Porque não dá pra enganar as pessoas por muito tempo. E quer saber mais, quando vc virar mesmo profissional, nem vai notar, aliás, vai notar sim, vai notar que já se passaram um bocado de anos e que vc nem teve tempo de ficar se preocupando com isso...

Eu não sei porque o povo tem tanta necessidade de se auto-rotular alguma coisa, "Óh não, eu sou isso, eu sou aquilo..." minha gente, a gente não é porra nenhuma que não nós mesmos... Somos nós, apenas nós. Nós e nossa arte, seja ela qual for.
Esquece esse papo de arte é isso, arte é aquilo. É um saco discutir arte... Trabalhe e pronto. O resto é conseqüência. Se vc quer reconhecimento na sua obra, produza, produza, produza. Se quer respeito, aja com respeito. Respeito a si mesmo e ao próximo. Não é guerreando, defendendo a si próprio e atacando o universo gritando que vc é artista, que vc vai crescer na arte. Eu não sou grandes coisas no mundo da arte, (mas bem que tem uma meia dúzia de doidos que gostam do que digo e faço, rs*)  mas também não fico o dia todo me preocupando com o que estão pensando ou não de mim e do que eu faço... Enquanto eu estiver pintando o que quero, desenhando o que quero, tendo trabalho e o que comer... estou fiel a mim e aos meus propósitos de vida.

Não esqueça de que o propósito de vida, de arte, do seu colega pode ser apenas a arte pela apreciação, pelo hobby, pela terapia, pela arte,  nem todo mundo quer ser fodão.

Tá bom então né?

"vamô" trabalhar minha gente?

Ps: Tá afim de comprar algum quadro?







2 comentários:

Bety Damballah disse...

Certissima!!!! Lililililiiiiiii....

Jr. disse...

Normalmente essas pessoas atacam terceiros com o discurso "isso não é arte", pois se sentem inseguros em relação à sua produção, então precisam desmerecer o trabalho alheio, em casos assim... é "inveja" mesmo, embora eu ache pobre sempre atribuir à esse sentimento, sempre que alguém não se agrada de algo feito por outrem.

Infelizmente, esse tipo de comportamento existe em todas as áreas, na minha, T.I, há quem diga "Quem programa em Delphi não é programador", "Programador é quem programa em C", falando sobre uma linguagem de programação e outra. Fazem assim, para tentar se valorizar, serem superiores em relação à outros, desmerecendo o trabalho alheio.

Resumo: Vão trabalhar, façam sua parte!