sábado, 26 de junho de 2010

E a Era de Aquarius? Como é que fica?


Hoje eu quero falar de uns pensamentos meus que eu nem sei se conseguirei expressar direito. Mas são umas coisas que têm fermentado na minha mente nos últimos dias...
Sobre as pessoas, o mundo... (Tá, isso tá ficando com cara de discurso filosófico de bêbado, mas vamos tentar)
Primeiro que o mundo está cada vez pior mesmo, a gente só vê tragédia nos jornais, na TV, nas ruas, na redação dos alunos de escola fundamental, enfim, dá a impressão de que tá tudo lascado mesmo... Mas algumas coisas contribuem para isso e eu não vou falar do clássico educação-governo-sociedade, porque isso é bem batido e muito vago.
Mas quero comentar algumas coisas bem perto de mim que me incomodam... A primeira é esse desespero que as pessoas têm em tomar a razão para si. Gente, não tem uma comunidade virtual que eu freqüente que não tenha alguém brigando com outra pessoa pra ficar tentando enfiar goela abaixo a sua verdade dentro do mundo do outro. São pessoas que acham que sua visão é a mais correta, ou que o seu Deus é o melhor (o que seria um Deus melhor ou um Deus pior eu não consigo imaginar, sendo que Deus é Deus, do jeito que a gente inventou né? Porque pra saber se Ele existe e "como" só se ele aparecesse, então eu fico contando com a criatividade humana pra conseguir demonstra-lo para mim de forma mais convincente) . Tem uns que se acham donos da verdade em tudo que é assunto, seja arte, cinema, dança, literatura, moda, internet, vida do ídolo, tudo! Nossa, temos tantos "especialistas" em tantas coisas que eu não entendo como pode ter tanta coisa errada assim por aí. Por que esses mestres não entram em ação e consertam as coisas de que eles mesmos dizem saber tanto?
O engraçado também é notar o número crescente de blogs, gente, tem blog pra tudo, tudo que for assunto que vc imaginar, tem um blog. Hoje em dia todo mundo escreve. O antagônico é que ao meu ver, para ser um bom escritor, precisa-se ser um bom leitor. Todo escritor deveria ser um leitor. Porque se vc só escreve e não lê, não só os outros, mas sim e principalmente a si próprio, danou-se de novo, porque não tem como escrever e nao saber ler.
Digo isso porque é incrível o número de pessoas que conheço que tem um blog, mas ao conversarmos sobre qualquer assunto, a pessoa me revela não gostar de leitura. (Pausa para você se espantar. Ou não) Como vc pode escrever sobre qualquer assunto se nunca leu sobre ele?
E isso é cada dia mais comum, com o advento da internet, todo mundo virou mestre em tudo, porque o google nos gradua capacitados para entender e resolver qualquer assunto. E paramos com as "vivências", tão necessárias para o aprendizado. Eu sempre falo que sou contra o supletivo. Sou mesmo, seja qual for a idade do aluno, porque escola, ESCOLA, mesmo, não é apenas um ano letivo, cheio de grade curricular e etc. Escola é viver e conviver com o colega de classe, ler sozinho e ler em coletivo, debater, conviver com os professores, cada qual com seu jeito diferente de ser. Por isso que quem fica só lendo tbm não aprende nada. É preciso ler e viver o que se lê para que depois, somente depois vc se julgue no direito de dissertar sobre. E não digo viver, no sentido literal, pode-se viver uma realidade lida, digerindo o que leu, criando sua própria crítica, buscando opiniões diferentes.
É por isso que dá tanta confusão no mundo, porque cada um pega o que encontra e lê só do seu jeito, não procura saber outras versões daquilo e vira um tal de "A Bíblia é nossa e disse assim", "Eu inventei isso e só eu sei sobre isso", "Eu sou o primeiro que fiz assim", "Eu achei isso aqui e agora é meu e só meu!" e mais um monte de coisas sem nem ao menos olhar pelo muro do vizinho e ver o que tem lá...
E assim temos as guerras, as disputas de terra e a briga do seu vizinho que foi parar no tribunal de pequenas causas.
Ou seja, é um tal de cada um procurar só o que lhe beneficie, só o que o engrandeça, que muitos vão esmagando pelo caminho os pequeninos, e assim temos a miséria e todas as mazelas de apêndice.
Você sabe qual o seu lugar no mundo?
Você sabe o que pode fazer para tornar o mundo melhor?
Qual é a parte que lhe cabe?
Eu me pergunto isso desde os15 anos, e é tão difícil, tão difícil responder a esta pergunta que só estou começando a ter pistas agora, aos 34...

                                                                              ***

Outra coisa que me incomodou essa semana foi o pessoal causando em cima da morte do Saramago. Meus amigos sabem o quanto me doeu, pois sou sua leitora há anos, mais exatamente há 15 anos (cheguei meio atrasada, mas deu tempo de aproveita-lo bem!) mas o que está me incomodando mais agora é a burrice humana.
Gente, é uma onda de ficar com "ciúme literário" sabe? Como se só vc no mundo gostasse do velhinho, só vc no universo compreende a obra dele, quando na verdade, ele queria ao contrário. Que mais e mais pessoas partilhassem dos seus pensamentos! E concordemos que embora triste, se a morte dele fará com que mais pessoas se interessem (porque ô coisa boa pra divulgar obra de artista do que o autor morto né?) se fará com que aquele que nunca leu, pegue algum volume e leia... porra, legal! Leia sim, descubra quem foi esse gênio contemporâneo que tanto engrandeceu nosso mundo! Não tem que ter essa de "Ai, mas agora todo mundo fica falando "luto por saramago" pra se posar de cult" FODA-SE, foda-se mesmo, pelo menos o cara sabe que ele existiu! rs* E outra, sabe porque o pessoal gosta de ficar fazendo pose em cima disso? Porque o mundo tá tão cagado em termos de qualidade artistica, que quando a gente encontra alguém melhor, encontra algo bom e valoroso, queremos nos agarrar com unhas e dentes àquilo, para que a gente se sinta menos burro. E se pro cara ficar andando com livros clássicos debaixo do braço vai fazer ele se sentir melhor, ande, criatura! ande! (Se der tempo leia tá?) Mas é assim que funciona, eu li o primeiro Saramago aos 19 anos, mas não foi porque achei interessante não, foi porque eu queria agradar ao meu pai, e lá fui eu botar banca de filha intelectual e desfilar com o Evangelho, só pra me sentir "menos burra" que meus colegas que nem liam nada extra-curricular, ou liam auto-ajuda ou livreco esotérico. Eu queria me diferenciar, numa tentativa de sair de uma lama interior, tentar ser diferente ... Deu certo. Eu li e me senti tão abismada em haver alguém tão inteligente, em ler pensamentos tão profundos e que tomavam dimensões tão grandes na minha mente que eu viciei no velhinho, e em mais um monte de outros gênios, porque eu descobri que ler, ouvir, prestar atenção nos outros podia me tornar alguem melhor. Eu poderia descobrir mundos dentro da minha cabeça que eu nunca havia sequer imaginado haver. Eu não estava mais apenas "me sentindo menos burra" eu realmente estava "Ficando menos burra". E isso era aliviante. É muito bom descobrir-se errado, mais gostoso do que acreditar-se certo, porque largar o peso de um equívoco é mais gostoso do que carregar o peso das suas verdades.
Porque defender as nossas verdades é difícil não é? Há de se ter força, integridade e coragem.
É fácil falar em quê se acredita, mas é difícil fazer algo concreto, eficaz em relação à isso.
Por isso eu vivo procurando formas de manifestar o que penso, e vivo procurando formas de descobrir mais o outro. Porque nada no mundo me transforma mais do que o vizinho.
Quando eu aprendo coisas interessantes, eu me sinto obrigada a me tornar alguém melhor.

Porque se não for assim é sinal de que não aprendi nada...


5 comentários:

saracarvalho disse...

Muito bem dito, Ghiza!!!
É por isso que Sócrates dizia: Só sei que nada sei.
E eu faço delas as minhas palavras.
Eu não sou especialista em assunto nenhum, nem no assunto "eu", isto é, minhas emoções, pensamentos e conflitos, quanto mais em assuntos alheios. Mas uma coisa eu sou: curiosa e ávida por novos conhecimentos.

Dança do Ventre disse...

Parabéns pelo texto! As pessoas necessitam de mais consciência e amor e menos ego, vaidade e orgulho. Olham tanto para fora que não conseguem descobrir o que há dentro delas e cultivar o próprio jardim.

Este texto é Wi Opat!

Bjão.

Kaks.Beraldo disse...

As pessoas nunca estão abertas a aprender, ou pior, as vezes tentam ensinar aquilo que nem elas sabem!!!

Mas o pior mesmo é o melindre, a idéia de que tudo sempre é "pessoal" ou cada frase é cheia de indiretas!!

Quer saber, enquanto cada um se fecha no seu mundinho mediocre, qm se abre descobre a cada dia um mundo novo!!

Jr. disse...

O maior "pecado capital" de todos é a vaidade.(Não, não sou religioso, é apenas uma metáfora).

Guerra de egos sempre existiram, com o advento da internet, redes sociais e com isso, uma maior interação entre as pessoas, evidenciou-se mais essa baboseira.

Todos querem "puxar a sardinha para a sua brasa", na maioria das vezes (vou ser otimista), elas não estão abertas nas discussões para o aprendizado, não aceitam que o seu "oponente" possa estar certo em determinado ponto, apenas querem vencer uma discussão para inflarem seu ego frágil.

Com uma imensa inversão de valores, o "estúpido" passa a ser o mais forte e, ter a sabedoria de aceitar seu erro, é visto como "fraqueza".

...

Por conta do Ego, pessoas citam eu seus perfis trechos da obra de Saramago, se dizem leitores também de outras obras clássicas. Eu não penso assim "legal, ao menos sabem que o sujeito existiu". Talvez seja bom para o ego do autor (A maioria não vai poder se beneficiar disso), mas em fato, não há efeitos práticos, não agrega nada ao valor humano saber que existe algo dentro da bacia, mas nunca ter enfiado a cabeça dentro para saber o que está lá no fundo. Com o google eu posso procurar nomes, textos... e parecer uma pessoa culta, mas jamais o serei se ao menos tentar ler.

Ponto positivo mesmo para aqueles que ao ouviram a notícia "Saramago is dead", pensou "-What a fuck is Saramago?" e baixou um e-book e começou a ler. Daí sim.

Beijos fofucha, adorei seu post. s2

Lena Casas Novas disse...

Muito legal a abordagem!

Estou visitando meus antigos amigos da blogosfera, aliá, os sobreviventes!!