quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Por quê?


Quando vou a uma universidade, ou ruas, ou festas, enfim, quando saio da minha casa aqui no fim do mundo, quando saio do meu mundo distímico, eu fico um pouco mais depressiva e a serotonina se perde um pouco mais pelas imagens que vejo na rua.

Eu sou chata e talvez neuras, mas eu preciso falar:

Por que as pessoas acham que para ser artista a pessoa precisa ser esquisita?
Por que precisam usar cabelos ridículos, roupas bizarras e ter posturas sem noção?
Por que não podem agir normalmente?
Por que artista que não usa drogas é tido como "café com leite"?

Eu falo isso porque eu não gosto de comparecer à recepções, eu não costumo fazer vernissage, abertura nas minhas exposições (primeiro porque sou uma Maria Ninguém, segundo porque não tenho grana, terceiro porque acho meio ridículo encher a pança de estranhos que nem sabem como chegaram ali) Quando eu vou em alguma vernissage sempre me arrependo. É um tal de falação sem nexo, claro que se for uma bosta de trabalhos, ninguém vai falar bem alto no meio da festa "Nossa, que bosta de exposição, o vinho barato e as porras das bolachinhas valem mais do que essas merdas!!!" Então fica todo mundo sorrindo, comendo, bebendo e tirando foto pra por no orkut depois.
É importante vernissage? Sim, é quando vc consegue trazer a imprensa, amigos queridos e estudantes de arte, pessoas ligadas ao mundo profissional da arte, aí é bom porque todos podem se reunir e é agradável. Mas quando é só por fazer... putz...
Sem contar que eu nunca sei o que vestir. Mas as pessoas sabem...Ô se sabem...

Odeio:
- Cabelos em tons ridiculos (verde, azul e afins)
- Roupas sem noção (exemplo: meia calça amarelo fluorescente, saia roxa e blusa vermelha tudo estampado e simultaneamente)
- Visual hippie forçado ("Oi, sou hippie, vegan, hare krishna, tenho canequinha de barro e um lap top ultima geração na bolsa e agora me da licença que preciso atender meu celular com 54867438 funções ok baby?")
- Alienados premeditados ("Ãh? O que vc falou? Pois é... Só....")
- Alienados dopados ("Nossa, mó viajem saca? piração total")
- Sandalinhas de crochê, camisetinha puída e falsa humildade.

Odeio:
- Conversinha de vernissage, toda a expressividade da cósmica da estrutura funcional gástrica da pincelada do fulano.
- Conversinha de poética, os significados ocultos da alma do fulano.
- Conversinha de acadêmico, que fica citando trocentos artistas que vc nunca NUNCA ouviu falar só pra impor sua "sabedoria" sobre os presentes.
- Perceber que muitas vezes o trabalho é uma bosta mas o cara é parente de alguém influente na história do universo.
- Fotinho sorrindo. (eu tenho as minhas - shame)

Então é isso é só um post pra eu me lembrar das coisas que não gosto para eu mesma ficar lendo e não correr o risco de ficar ridícula de um dia para o outro.

3 comentários:

Marcionília disse...

Eu adoro sandalinhas de crochè. :)

G.R. disse...

É uma metáfora amiga... saca aquele povo que usa sandália de crochê com bolsa que custou R$500,00 paus?

Jr. disse...

Você é mãe, esposa... limpa privadas em casa e faz bolos, ou seja, é uma pessoa normal, apesar de artista brilhante.
Além do quê, você é culta, conhece arte... não é uma maluca com pirações artistícas, enfim, foge de todos os estereótipos.