sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Amor?


O sol que faltou,
O pássaro que não veio.
O beijo que não chegou,
A poesia que não rimou...

A boca que só secou
O sonho que só dormiu,
A noite que não enluarou,
O brilho que se apagou...

Esses teus olhos que só perdidos,
Esse teu perfume que nem tens,
Esse teu nome que é esquisito,
Esse teu gosto de quem não é...

É tudo isso ou é o amor que se acabou?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Noite.






De olhos fechados me envolvo na fantasia que me deste,
Na intensidade de um beijo que não tenho
Mas o sinto,
E dele sou dama prisioneira e feliz
Nos braços de um dia que se foi...
E nele sou tão frágil,
Que meus desejos destroem o que nem existe,
Só pelo pavor de me negares,
Para não perder o que não me pertence...
Guardo em meus suspiros,
Teu nome bordado em sonhos...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Baunilha.




Passeiam em mim desejos com aroma de voar,
Aquele bailado de cristais encantados
Que refletem chinelos e poeira,
Orvalho e luz divinal...
Desejos de mato e bicho,
De cortina branca na janela velha,
De café bem quente e caneca nas mãos,
Pra eu sentar na soleira da porta e pensar em ti...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Qualquer coisa...


Qualquer coisa,
Qualquer coisa que me afaste do que nego,
Mas me entrego
À qualquer coisa que me deres,
Qualquer coisa
Que não seja este agora
Que não seja quem me vejo
Qualquer coisa que adormeça
Qualquer coisa que releve
Estes sonhos de nada-ser
Essa ânsia de não-estar
Qualquer coisa...
Imagem - Ivan Raposo.

quarta-feira, 23 de abril de 2008


Meu silêncio foi fruto de um choro contido
Em olhar abafado, em celas de risos,
Em beijos perdidos ...
Entre o passado e o que sou,
Onde estás e não estou,
Nessa terra de boca barrenta a me devorar...
Entre quereres diluídos,
Suspensos em teus olhos,
Insistentes em me ferir,
Entre letras selvagens,
À rasgar-me em farrapos sem cor...
Em minhas noites de desamparo enluarado,
E onde o dia persiste em se tornar amanhã...

domingo, 6 de janeiro de 2008

Chiclete.


As palavras eram mascadas,
Com sabor de dias quase esquecidos,
Coladas umas nas outras,
Sem se saberem poesia,
Sem se fazerem canção...

Boiavam apenas, em língua solitária e fria,
Roídas entre dentes amanhecidos,
Engolidas a seco em boca abandonada
Em noite vazia e faminta...