segunda-feira, 30 de abril de 2007


As palavras me têm fugido
Obrigando-me a uma mudez forçosa,
Um silêncio involuntário que me aprisiona,
Com olhos estatelados nas janelas do mundo...
Estou me entregando às dores de um tempo
Onde não me reconheço,
Participo, mas estou à parte,
Repudio, mas sou inofensiva,
Apenas assisto temerosa e impotente
O despencar do que eu acreditava ser o amanhã.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Mrs. F.




Bebo todas as manhãs,
Felicidade partida em doses,
Com a água dos rios que vivi,
Alegria em cartelas,
Pra engolir minhas tristezas,
Comprar meus sorrisos,
Que submergiram nas fendas do caminho...
Rápido como cachaça em balcão,
Um único gole
Ilusão ingerida,
Diluída no meu sangue,
Digerida pela escuridão dos pensares,
Percorre tudo o que sou
Para que eu me esqueça de mim...

terça-feira, 17 de abril de 2007

Mulher.


Toda manhã me prometo um não,
Um acordo de negação de mim,
Do que me rejeito,
Da minha involuntária paixão pelo que detesto,
Ao meio-dia já estou entregue
Às concessões das minhas fraquezas,
Às permissões vulgares do que me rendo,
Às mesmas palavras diárias de ti...
Toda manhã me aguardo fortaleza,
Toda manhã me espero resistência,
Toda noite adormeço um sim...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Fim.


Era um grito em queda livre,
Rasgando o silêncio do último gole,
Da última cena,
Da última lágrima,
Árido, despencava entre recordações e olhares,
Escorria entre crenças e calçadas
Espatifado

...No meio da rua dos sonhos...

sábado, 7 de abril de 2007

Outono.


É outono e me desfaço entre pedidos e perdões,
Navego por dizeres, segredos que guardei,
Em meio aos meus delírios particulares,
Encontro-te, vestida de amores e deleites,
Mais bela, mais quente, mais preciosa...
Então me refaço entre miragens e clamores,
Percorro minhas liras, feridas de mim,
E em meio às amarguras expostas,
Encontro-me coberto de solidão e deslizes,
Mais vulgar, mais frio, mais eu...

terça-feira, 3 de abril de 2007

Sopro.


Na árdua tarefa de encarar meus vazios,
Olho pra trás,
Observo o solo que engole meus tropeços,
Que devora meus caminhos...
Em atalhos deixo meus pedaços,
A cada parada um retalho de alma,
Um membro, um beijo, um verso,
Um olhar que enlace você

Que passou por mim e nem me viu...