terça-feira, 27 de março de 2007

Sina.


Estou muito cansada,
Mas ainda desperto com o canto de um pássaro insistente
Na janela de meus olhos desbotados,
Que, marginais, contornam o que me resta de alguma crença
Entre preces e perspectivas,
Não espero por muito,
Mas prossigo aguardando o pouco que me falta.
E sobram-me suspiros.
E passam-me os dias.
E acabo-me aqui, em repetições diárias,
A raiz de meus mais combatidos vícios:
Da carne, que me endurece a cada ano,
De ti, do qual dependo em noites cinza,
Da carta, que escrevo diariamente sem destino algum,
Da alma, que me aprisiona nos sentires mais patéticos
Onde me faço assim,
Seqüencial, ininterrupta
Cigana, num sonho que ainda não aconteceu...
Estou muito cansada de tudo e luto para sobreviver a mim.
Eu que me rôo,
Eu que me trapaceio e me abandono no limite do meu leito,
Seguindo seu curso,
Rumo a lugar nenhum...

sábado, 24 de março de 2007

Sinais.




No desamparo de mais uma tarde,
Mais uma vez terra,
Mais uma vez chuva,
Mais uma vez flor,
Mais uma vez, ela,
Bagagem pronta de quem recém nasceu,
Olhos transbordantes de toda novidade,
Provando cada nuvem, cada chama, cada nome,
Banhando-se em doces palavras, suspiros e sons
Êxtase, torpor e silêncio,
Como se fosse uma primeira vez...

terça-feira, 20 de março de 2007

159.




Perco-me num labirinto de suposições
Onde despedaçada em mil versos mal feitos
Fujo de mil sombras de mim
Persigo mil rastros de ti
Bruta, desfilando sobre estilhaços,
Lavando-me em salinas ilusões,
Apanhada por assaltos da alma,
Anjo,

Caída de um paraíso ao qual nunca ascendi...

sábado, 17 de março de 2007

Doce.


Escorriam-lhe os beijos pela boca,
Nos lábios solitários de platônica paixão...
E seus abraços aprisionavam todos os sonhos não ousados,
Todas as mãos desatreladas,
Todo atrevimento contido...
Seus olhos, as grades daquela beleza,
Suas cartas, espelhos sem destino,
Seu chamado, sustenido nos pilares da ilusão
E ela, distraída comprando chocolates...

terça-feira, 13 de março de 2007

Fresh.


Exausta de tanto esperar amanhã,
Refiz minha cama, minha camisola e meus retratos,
Refiz meu batom, meus sabores, e meu rumo,
Refiz meu prato, meu nome e meu dia,
Esperanças, cadernos e cadeados
Refiz cada canto da minha vida,

No eco da noite em que partiste...

sábado, 10 de março de 2007

Fugaz.


Tu amanheces diferente a cada dia,
A cada nascer te desvendas mais leve,
A me enraizar no solo da paixão,
Vapor suave, gélida carícia em minha face,
Ou então, mais rósea,
Mimo aveludado que desliza em minhas mãos,
Despertas ainda mais bela,
Ofendendo minha solidão,
E o aroma de fruta que baila em sua passagem,
Fresca, aérea, musical...
E eu, Rocha, enterrada em meu cinzento jazigo de saudades...

O que é o amor?


Lançado o livro "O que é o amor?", produção de um grupo de poetas blogueiros ao qual faço parte, confira essa bela coletânea acessando o site:http://queeoamor.blogspot.com/index.html
e adquirindo o livro!
Ps: Estou na página 33!
Você também pode conferir meu trabalho em:http://ghizarocha.blogspot.com/2006_09_01_archive.html
intitulado "Amor" - 19 de setembro de 2006.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Fardo.


Segui por longas jornadas,
Onde roubaram meus azuis e mel,
Croquis noturnos e rascunhos cuspidos,
Onde ríspida, me concebi...
Refeita em contornos e íntimo,
Poeiras, despedidas, bandidos e deuses,
Ameaças, despenhadeiros...

E o amor...
Onde submergi loucamente nas entranhas de uma doce escravidão,

E a água,
Que me levou para longe da nascente dos meus sonhos ,

E você,
Que me despedaçou inteira, abafou meus tons e fez da minha aquarela um grito magenta de viver...

domingo, 4 de março de 2007

Fim.


Emudeci,
Talvez pelos anos que insistem em me acuar,
Talvez pelas estradas nas quais teimo em vagar,
Talvez pelo seu canto que me basta...
Emudeci,
E me encontrei demorada, cheirando flores,
Assistindo a sóis e dilúvios,
Ouvindo histórias e lamentos,
Deflorando inícios e finais,
Colhendo verbos e almas...
Emudeci,
E consegui dizer-me tudo.