quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Poema de Amor Perdido.


Desfazem-se os dias, a pintura e as promessas,
Derramados, lágrimas no esquecimento,
Amargas, raízes fincadas nas areias do passado,
Respiração sôfrega, sem perspectiva,
Fruto de árvore póstuma,
Aborto de afeição mal curada,
Ferida cancerosa de dor inominável,
Desfazem-se as cartas, os jardins e os beijos,
Despejados, exilados do coração,
Silêncio forçoso, que berra,
O Protagonista e seus moinhos,
Poema de amor perdido...

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Renda.


Não creias tu numa só palavra deste alguém,
Pois este não conhece sequer um dos teus parágrafos,
Apenas supõe-te amor verdadeiro e eterno,
Mas não sente o perfume que exalas nas entrelinhas da noite,
Não creias nesta boca e beijo incolores
Que desconhecem teus tons e sabores...
Tuas fendas e terrores,
Apenas te sugam a vida e morte...
E enquanto te pintas de esperança e mel,
De prontidão, te espero em minha casa,
Onde os copos, tapetes e lençóis estão sonolentos a tua espera,
Onde as horas cravaram-se nas janelas,
Os sussurros escorrem pelas paredes,
E eu, te aguardo fiel,
Na ânsia e na certeza do nosso leito feito de amanhã...




sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Rosa (Abismo).


Não falarei de ti,
Para que penses que te esqueci,
Que esqueci cada manhã, dos anos em que acordei teu nome,
O vermelho gritado da rosa que mandei,
Tua rouquidão,
Tua pressa - passos largos que arranhavam a minha rua -
As noites em que eu era anônimo, vigia de tuas janelas,
Tuas canetas, roupas, feridas, canções,
E o dia em que você quase morreu...
E eu, quase morto, velo o que me sobro,
O que me resto,
Entre recordações e impossibilidades,
Zelo por mim, por ti
E simplesmente, esqueço...

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Appassionata.


Teu amor é aquela fada triste,
Que chega com esperanças corroídas,
Esfarelando lembranças ao longo do meu caminho,
Verbo de conjugação certa e assídua
No meu passado, presente e futuro,
Amor que se recompõe em novas canções,
Alimentado de acasos, folguedos e fotografias,
Repousa morno em meu ouvido,
Vestido encantado de “quem sabe”,
Partindo, distante e cruel,
Em fumaças de adeus...

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Confete.


Cisca, cisca o chão.
E bica grãos e gente,
Distraidamente,
Entre silvos e vôos,
Percebeu-se livre...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Reinventar.


Do meu passado,
Meus sonhos ressecados, imóveis...
Retirante de uma terra de sonhos,
Exilada de um futuro que, de tão perfeito,
Parecia improvável...
Distante de tudo em que creio,
Fantasio-me de pseudo-verdades,
Pinto-me mais uma vez de alegria
E danço ao som dos novos nomes que me dei...

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Carta.


Desconheço teus signos e sombras
E não sei meu papel em tua maravilha
Sou uma incógnita vulgar,
Interrogação ardente a me desafiar nos espelhos da vida
Desconheço tua partida e chegada
E não tenho mapa nem rumo,
Sou qual passageira de um sonho perdido,
Conduzida,
Numa estrada de suposições, que benevolentes,
Disfarçam e escondem as trevas dos meus amores
Mudos e incolores...
E tu, que és a Deusa de todas as cores e sons,
Tilinta radiante, afinada e dourada no meu despertar,
Voa majestosa, suave e azul nos meus sonhos,
Relampeia audaz, distante e prateada nos meus medos,
E suspira, serena e branca no meu fim.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Escarlate.


Roubava o carmim dos jardins

Para acenar-te com meu tímido rubor

A urgência dos teus olhos e dias...

E refazia,

Caprichosa e silenciosamente

Meus caminhos

Na esperança diária de tingir-te de mim...