domingo, 9 de abril de 2006

Precisão


Tua precisão me deforma
das sobrancelhas ao fígado
E eu, rascunho malfeito do que pretendia
Permaneço em pé,
A um passo de salto em abismo,
Ou ferrugem do que julgava não-perecível.
Sua clareza, sua poesia, seu nome,
Fazem de mim inútil,
Como um peixe ornamental encaixotado,
Tentando mostrar minha beleza
Sem mais saber nadar...
Se fosse índio comeria sua carne,
Numa conhecida receita antropofágica,
E não saberia seu gosto verdadeiro
Porque minha língua não está preparada para ler-te
A mim restaram estas frases,
A ti, todos os sons.

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