sábado, 11 de fevereiro de 2006

Abertas.


Olhar com o corpo todo, sentada sobre mim mesma.
Ser toda braços, orifícios, ser boca e vagina gigantescos para tudo ver e engolir...
Assistir a tudo do meu camarote de alvenaria, escoltada por cortinas de renda, carregando cotovelos curiosos e revelando o que há no mundo de fora.
Ter sempre paisagem, e ser nova a cada dia.
Dormir junto com o gato e me molhar de chuva...
Ser uma possibilidade num não-muro, uma chance, um buraco, uma passagem de ida e volta...“


... eu bem queria ter a força de uma janela...” (Clarice Lispector em, A Cidade Sitiada)

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