terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Caminhos.


Venho de caminhos entalhados sob meus olhos.
De estradas, as mais distintas, onde cruzo as mais diversas fronteiras.
Ouço linguagens que compreendo apenas no tato, sorvendo salivas.E Deus se apresenta de maneiras tantas...
Obrigando-me a orar todas as preces que encontro...
Minhas raízes, nas entranhas dos homens, se afogam nos mais ácidos e acres sabores; fazendo de seivas dolentes o desabrochar das minhas mais belas flores.
Farto-me de ser gente mergulhando nas dores e loucuras humanas, onde posso ser o que quiser, se quiser.
Tomo emprestada toda história de hoje que se mostre maior que a de ontem, para assim engrandecer meus enredos e transformar minha caminhada...
E de todas as paisagens faço espelhos para enfeitar o mau em mim, de cada doença faço vacina e assim venho, pisando em efemeridades buscando o que ainda não sou...

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Abertas.


Olhar com o corpo todo, sentada sobre mim mesma.
Ser toda braços, orifícios, ser boca e vagina gigantescos para tudo ver e engolir...
Assistir a tudo do meu camarote de alvenaria, escoltada por cortinas de renda, carregando cotovelos curiosos e revelando o que há no mundo de fora.
Ter sempre paisagem, e ser nova a cada dia.
Dormir junto com o gato e me molhar de chuva...
Ser uma possibilidade num não-muro, uma chance, um buraco, uma passagem de ida e volta...“


... eu bem queria ter a força de uma janela...” (Clarice Lispector em, A Cidade Sitiada)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Why?


Nasci há alguns-muitos-tantos anos...
E ainda não consegui descobrir o porquê disto.
Talvez seja este o motivo de eu precisar de acessórios...
Palavra, flecha, camuflagem e rótulo...
Explosão, amor, função e cansaço...
Língua, susto, brinquedo e dicionário...
Religião, livro, bicho e passeio...
E eu, enigma soberano na contramão do meu travesseiro...