sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Shampoo Neutro


Hoje não tem poesia.Não por falta de assunto pra poetizar e sim por uma sonolência de idéias que insistem em vagar no meio de um tambor, minha roleta russa mental, esperando o disparar, a caneta certa...
Uma falta de identidade, uma interrogação permanente, sem documento, sem apelido, um só “ser”, daqueles sem verbo “estar”, só sendo....
Talvez por isso não dê pra poetizar, cantarolar em letrinhas aquilo que sinto e não é nada assim, perfeito ou mesmo horrendo... é uma cochilada de mim...
Sem problema, sem azul, sem música,
talvez falta de embriaguez, ou excesso de sensatez...
Sei que hoje não dá pra poetizar nada...
nem cachinho de criança loira, nem olhos d’água de morena, nem batatinha quando nasce.

domingo, 15 de janeiro de 2006

Deja vú


Há uma certa familiaridade nas novidades
Não existe nada que me seja completamente novo.
Tudo fica sempre com uma cara de “oi, eu estava mesmo te esperando”...
Se for novidade boa ou ruim, não importa...tudo se parece muito com o que já conheço...
De repente, vai lá, acontece.E fico com aquela sensação de que, no fundo, naquela tatuagem interna, já estava tudo meio escrito, meio esboço...
A grande magia está em conseguir não fuçar demais minhas peles para não descobrir os afluentes do meu destino, esse desenho à toa que insisto em retocar a cada ano...minha vida é aquele rabisquinho legal que Deus fez enquanto telefonava, ali, no canto daquele bloquinho que roubei antes de nascer...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Cama e mesa


Não quero virar poesia, nem letra de música...
Virar distância...
Mulher que vira poesia geralmente não está mais lá,
Foi levada ou fugiu.
Prefiro ser então pedaço do lençol,
Pãozinho na mesa,
sempre presente,
abraçando seu corpo, dentro da sua boca...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Raio X


Gostaria de não falar mais do que deveria– Às vezes me perco dentro de mim, fazendo coisas e mais coisas que nem precisavam ser feitas– Gosto de comer coisas crocantes – Queria me lembrar de tudo que minha mãe passou a vida toda tentando me ensinar –Queria encontrar todos os livros que emprestei – Às vezes perco horas pensando no passado, pra descobrir que, enfim, passou – Queria lixar meus pés pelo menos uma vez por semana - Gostaria de brigar somente por motivos justos – Detesto ficar com sono –Gostaria de chegar na praia e distrair minhas gorduras, impunemente – Prometo fechar os ouvidos para a estupidez – e jogar fora os livros péssimos que comprei sem saber – Deveria ler novamente o Saramago – Queria entender o mundo masculino – e aprender a fazer quindins – Devo comer mais verduras – Ah, frutas também – Encontrar o esporte perdido, aquele que conseguirei praticar por mais de um mês – Gosto de assistir programas femininos, daqueles com receitas, sim, e daí? – Quando me descobri uma carente crônica, parei de sentir falta dos outros –Compro agendas que terminam o ano praticamente em branco- Esqueço de usar meus cremes- Gostaria de saber meditar- Os iogues são felizes- os dançarinos de tango sofrem mais – Lobão fala a língua que mais admiro – gosto de cozinhar - quando aprendi a juntar as letras acreditei que poderia escrever – Quando aprendi a ler, descobri que não.