quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Esférico.

Passa alta, redonda, a alegria da criançada sob meus olhos...
Nessa hora não existe voz ativa, aliás, voz nenhuma, somos passivos ao que de longe, parece uma espécie de êxtase coletivo...
...quinze, vinte crianças paralisadas, e eu, acompanhando a trajetória do tesouro esférico, quase alado, que cruza a quadra e pousa no pé do afortunado herói pré-primário...
Que puxa para si todas as outras crianças, trabalho de um imã, que consegue reunir em segundos todos os olhinhos que até então só contemplavam...
e nessa hora sobram pernas, pés, cotovelos para que num mar de bracinhos, em breve ela surja, redonda, imperiosa, alheia aos desejos da criançada, novamente sobrevoando as fantasias de cada um e explodindo num gol anônimo, coroado pelo aplauso de todo o Maracanã Imaginário...
Na minha mente ela adormece, como visita que virá, a minha felicidade está chegando para me deixar com formato de planeta, recheio vivo, transbordante de amor, meu gol feminino.

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