terça-feira, 11 de outubro de 2005

Um.


Penso em quantas fui e quantas ainda serei.
Não lembro mais o quê, ou quem matou cada eu que já fui,
ou o quê parirá o que serei, mas lembro-me de cada pessoa que inspirou comigo, no expiro, tantas vezes eu não estava mais lá.
Quantas vezes fugi, ignorando o que o destino bordara...Sou parte de uma força venosa, que leva e trás, sou arterial, também levo e busco o que movimenta minhas transformações.
Desfazendo-me.Alimentando, colorindo e ulcerando o que participo, sou elemento vital e passageiro.
Conversão de ateu, lápis de Goya, amor póstumo, sou o que não compreendo, chave do meu segredo.
Meu canto fala por mim, mas sou por vezes surda, pressinto a rima e não enxergo a poesia, renasço, mas não me vejo, nem sei me pintar, sequer consigo caminhar enxergando o rumo de meus passos, mas prossigo, pulsando, sangue que não se cansa, hemorrágico, aos passos trôpegos do meu coração, coagulando-me a cada rasgo da Tua vontade.

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