quarta-feira, 12 de outubro de 2005


É um animal, uma besta-fera dentro da alma.
Dor secreta que oculto de mim e explode, sempre com destino certo e firo somente eu, vítima do que sufoca minha mente.
Mora com a rejeição, do que finjo ser, alimenta-se do que mais temo e cultivo dentro de mim, como regar daninhas e arrancar flores.
Disfarça-se sob máscara forte e grande, pintura linda e idealizada pra negar o que me faz sentir pequena, pra esconder do criador, a criatura.
Canta composição destruidora para coreografar uma dor que ninguém conhece, que não se transforma em ato, palavra ou gesto. Apenas dói.
Escrava dentro de um engenho de fantasias, de pesadelos tingidos de realidade, com olho vidrado no centro do alvo, onde a mesma flecha preta cantada em verso nordestino, pousa.
Agora tento respirar, fujo da mira da insensatez, para quem sabe, enfrentar o meu maior inimigo, que tem meu rosto, meu nome e minha forma, mas ninguém enxerga porque está escondido atrás de trincheiras da guerra que travo contra mim mesma.
Batalha incansável em busca de me descobrir e me curar da minha fábrica de dores.

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