sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Soares




Gosto de sentir inteiro.
Para tanto é preciso uma entrega absoluta.
É preciso conseguir ver o horror e a efemeridade de saber-se cegamente feliz... ou ver a importância de um momento triste, saber o quanto este também é passageiro.Vejo utilidade até na coisa mais vã, como uma forma de proteção, não saber o quão desgraçado se é diante da impotência de não saber fazer-se feliz...O meu sentir inteiro é uma forma de abandonar-me, não consigo sentir a totalidade das coisas sendo eu, compacta... preciso tornar-me etérea e captar o não-material...
absorver o que sendo eu, às vezes tão Rocha, fossilizada dentro do meu hermético, egoísta e desinteressante universo não consigo ver...Preciso tomar emprestado o estar das coisas, ser somente a música, ou o ácido, ou de forma claustrofóbica me hospedar em quarto alheio, inconsciente, cama cega que me abriga sem me analisar, pra descobrir em meio a mendigas filosofias que sentir é uma forma de anestesiar-se do mundo vulgar.

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